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Editora lança versão em quadrinhos do clássico “O Alienista”, de Machado de Assis

22/08 - 16:20 - Maria Rita Fava, do Último Segundo

SÃO PAULO – Há 126 anos, Machado de Assis, nome máximo da literatura brasileira, lançava seu “O Alienista”, incorporado ao volume “Papéis Avulsos”. Em 2008, a Editora Ática reascende a obra clássica em versão história em quadrinhos, adaptada pelo roteirista Luiz Antônio Aguiar e o desenhista Cesar Lobo. O título, parte da coleção “Clássicos Brasileiros em HQ”, chega ao público durante a Bienal Internacional do Livro, que segue até 24 de agosto, no Parque de Exposições Anhembi, em São Paulo.

“Buscamos uma recriação autoral para o texto de Machado de Assis”, afirma Luiz Antônio. “No início ‘bate’ aquele frio na barriga. Imagina, alterar a obra do maior escritor brasileiro? Mas, depois de uma boa conversa num bar, as idéias fluíram. Foi um processo de criação intuitivo”, complementa Cesar Lobo. “Deu tudo certo. Fizemos uma bela versão de uma obra clássica, uma recriação com inúmeros caprichos”, arremata o roteirista.

Após “pirações”, como definem, troca de opiniões, encontros e infinitas horas de trabalho, os criadores focalizaram atenções para explorar ao máximo a linguagem de quadrinhos e que ao mesmo tempo ampliasse as sugestões do original de Machado. “Um exemplo é o personagem ‘duplo’ do protagonista Bacamarte, que surge em inversos momentos, como se estivesse sempre tentando brotar do íntimo do alienista”, explica Luiz Antonio.

“O desafio de tornar irreverente a obra machadiana já é muito empolgante. A idéia do preto e branco foi minha. As primeiras páginas surgiram rapidamente, no ‘vapt-vupt’. Além de desenhar, que é minha paixão, mergulhei na história, fiz pesquisas quanto à época, ao lugar. Se nós ‘viajamos’, Machado de Assis também ‘viajou’. Itaguaí é uma cidade muito pequena, simples, muito diferente, na realidade, daquela narrada por Machado”, conta Cesar.

“Também incorporei aos quadrinhos os escravos, uma vez que eles inexistem no original. De acordo com o contexto histórico de ‘O Alienista’, estes afros descendentes são fundamentais para o entendimento daquela época, ao final do século 18”, protesta o desenhista.

Opiniões

Luiz Antônio diz ter ficado “surpreso” com o efeito e a beleza que a arte de Cesar extraiu do roteiro. “Não que eu esperasse menos, ma, ele superou todas as minhas expectativas. Foi demais! Dá próxima vez vou provocá-lo mais ainda com desafios de roteiro”, diverte-se Luiz.

Em tom de otimismo e bom humor, declara: “Espero que, finalmente, ‘O Alienista’ tenha ganhado uma versão que espelha não apenas uma exploração ousada do que podem nos dar os quadrinhos em expressividade, como uma leitura aprofundada, uma familiaridade com o texto machadiano. No fundo, essa é a marca dessa adaptação, e gostaríamos de ver o trabalho reconhecido e bem-recebido”.

Antes de encerrar a conversa, o roteirista reafirma: “Em se tratando do ‘Bruxo’, é preciso traí-lo para lhe ser fiel. Isso vale, creio, para quadrinhos, cinema etc. Ele é nosso escritor maior, nosso Gênio da literatura, à altura dos maiores gênios da literatura universal. O mestre da farsa, da combinação, da galhofa com a melancolia, da ‘abrasileiração’ marota de Shakespeare, Cervantes e outros grandes. Da desestabilização das verdades oficiais e solenes, da oposição da inteligência contra a burrice do senso comum. Foi pensando em tudo isso que fizemos este ‘O Alienista’”. Entendido!

Ficha técnica
"O Alienista", de Machado de Assis
Coleção "Clássicos Brasileiros em HQ"
Desenhos: César Lobo
Roteiro: Luiz Antonio Aguiar

Leia mais sobre: Bienal do Livro, Machado de Assis

 





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