20/08 - 17:39 - Henrique Melhado Barbosa, do Último Segundo
SÃO PAULO - O secretário da Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, afirmou nesta quarta-feira que a campanha “120 anos de abolição - Racismo: se você não fala, quem vai falar?”, realizada pela secretaria em parceria com o iG foi uma ótima oportunidade para que os brasileiros pudessem se expressar livremente.
“A campanha permitiu a livre expressão de todos sobre a questão do racismo. Todos puderam escrever e trazer suas experiências”, diz o secretário. “Escrever bem, ou mal, mas escrever”.
A ação “120 anos de abolição” convocou durante três meses a população e internautas do Brasil inteiro a escreverem textos sobre o preconceito contra afro-descendentes. A expectativa é que o número de cartas e mensagens via internet chegue a 10 mil.
O secretário conta que as cartas vieram sob as mais diferentes formas. “Recebemos textos de pessoas humildes, racistas, análises mais profundas e outras que contam experiências pessoais”.
Sayad concorda que no Brasil há racismo, embora acredite que o preconceito se apresente de forma distinta em relação a outras partes do mundo.
“Existe, mas a gente tem a natureza muito diferente. O racismo daqui é diferente do apreseentado nos EUA e da xenofobia (aversão ao imigrante) na Europa”, explica. “É um problema brasileiro que precisa de soluções brasileiras, que aproveite as nossas vantagens, que não seja hipócrita”.
O próximo passo da campanha é a análise de todas as correspondências por uma comissão de estudantes e pesquisadores de universidades de São Paulo. Os 120 melhores textos serão publicados em um livro, no mês de novembro, pela secretaria como parte das comemorações do Dia da Consciência Negra (20/11).
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