21/07 - 17:23 , atualizada às 18:28 21/07 - Redação
RIO DE JANEIRO - Aplausos, lágrimas e música marcaram a despedida da atriz Dercy Gonçalves, que foi velada de domingo até o final da manhã desta segunda-feira, no Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Centenas de pessoas, entre fãs, amigos e parentes, passaram pelo Saguão Getúlio Vargas, até a saída do corpo em carro aberto do Corpo de Bombeiros, escoltado por dez batedores da Polícia Militar. O caixão foi coberto por uma bandeira do Brasil. O corpo da atriz foi vestido com roupa bordada em paetês, maquiado e recebeu até cílios postiços e colares, um desejo dela, como revelou a sobrinha Lucy Freitas. O corpo já chegou à cidade natal da artista, Santa Maria Madalena, no norte do Estado do Rio, e está sendo velado no Clube Montanhês.
| Rafael Wallace |
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| Sérgio Cabral se despede de Dercy Gonçalves |
“Ela demonstrava uma sabedoria de viver incrível. Morreu aos 101 anos, aprontando muito. Quando eu era deputado prestei uma homenagem a ela na Alerj. Fui a Santa Maria Madalena para colocar minhas mãos na calçada da fama, que ela promovia lá. Dercy era muito alegre, brincava com a velhice, mas não passava recibo”, afirmou Cabral.
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, Christino Áureo, revelou ser um admirador e contou que recebeu das mãos de Dercy o título de Cidadão Madalenense.
“Do seu jeito, ela sempre foi uma pessoa que reivindicou muito por sua região. Neste momento nós políticos temos que reconhecer o que o povo já reconheceu. Ela era uma grande personalidade”, destacou.
Amigo de Dercy há mais de 50 anos, o ator Homero Kossac fez um discurso de despedida emocionado.
“Estamos assistindo ao funeral de duas metades de um ser humano. A metade atriz, que revolucionou o teatro, e a metade mulher, corajosa. Dercy fazia do palco sua catedral e do riso sua prece”, ressaltou Kossac.
A irmã de Silvio Santos, Sara Soares, afirmou que a atriz tinha um contrato vitalício com o SBT e que seu irmão tinha grande admiração por Dercy.
“Silvio gostava muito dela. Admirava a mulher guerreira e irreverente, que lutou para conseguir tudo que queria”, afirmou.
| Futura Press |
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| Dercy em evento no dia 14 |
“Mamãe gostava da vida, dizia que ser feliz era uma questão de decisão. Ela sempre disse que iria morrer no dia de Santa Maria Madalena. Não foi bem assim, mas a cidade está em festa e pronta para recebê-la. Todos lembram dela por sua irreverência”, disse.
Para a sobrinha Lucy Freitas, Dercy era uma matriarca.
“Ela sempre foi nosso grande sol. Éramos os planetas que gravitavam em volta dela. E o grande legado deixado por ela foi o sorriso e é com um sorriso triste que o povo se despede dela”, declarou Freitas.
A Confraria do Garoto prestou mais uma homenagem à "grande dama" e ao som de marchinhas de carnaval "Valsa de Despedida" e a "Perereca da Vizinha", sucesso de Dercy, conduziu o caixão até o carro do Corpo de Bombeiros que seguiu em direção a sua cidade natal – Santa Maria Madalena - onde será enterrada. A multidão cantou, aplaudiu e se emocionou.
Dercy morreu às 16h45 de sábado (19/07), aos 101 anos, de pneumonia e insuficiência respiratória. Para os conterrâneos, o velório será no Clube Montanhês. O enterro será após a missa das 10h desta terça-feira, no mausoléu construído pela própria comediante, quando descobriu que tinha câncer, há 17 anos.
Vida de Dercy
Dercy Gonçalves foi o nome artístico adotado por Dolores Gonçalves Costa, que nasceu em 23 de junho de 1907. Ela, um dos expoentes do teatro de improviso, iniciou a carreira em 1929, na cidade de Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro.
No ano seguinte, viajou pelo Brasil fazendo par com Eduardo Pascoal com o espetáculo Os Pascoalinos. A atriz participou do auge do Teatro de Revista Brasileiro, nos anos 30 e 40. As principais peças que fez na época foram: Rumo a Berlim, Passo de Ganso (1942), Rei Momo na Guerra (1943), Momo na Fila (1944), Canta Brasil (1945).
A partir da década de 60, Dercy inicia espetáculos no quais contava fatos autobiográficos de sua vida. Ela dialogava direto com o espectador, sem personagem, fazendo uma seqüencia de piadas e tiradas cômicas. Dercy também atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.
| AE |
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| Em cena de "Sonhando com Milhões" |
No final dos anos 80, passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como os apresentados por Sílvio Santos. Ela participou, entre outras, das novelas Que Rei Sou Eu? (1989) e Deus nos Acuda (1992), da TV Globo.
Em 1985, ela recebeu o Troféu Mambembe como melhor personagem de teatro. A categoria foi criada especialmente para ela que nunca havia conquistado nenhum prêmio por suas atuações.
Dercy Gonçalves ficou famosa por seu bom humor, as entrevistas irreverentes que dava e o uso constante de palavrões de baixo calão. Sua biografia, intitulada Dercy de Cabo a Rabo, foi escrita por Maria Adelaide Amaral, em 1994.
Veja a lista dos filmes que a atriz participou:
1943 - Samba em Berlim
1944 - Abacaxi Azul
1946 - Caídos do Céu
1948 - Folias Cariocas
1956 - Depois Eu Conto
1957 - Feitiço do Amazonas
1957 - A Baronesa Transviada
1957 - Absolutamente Certo
1958 - Uma Certa Lucrecia
1958 - A Grande Vedete
1959 - Cala a Boca, Etelvina
1959 - Minervina Vem Aí
1960 - Entrei de Gaiato
1960 - A Viúva Valentina
1960 - Só Naquela Base
1960 - Dona Violante Miranda
1960 - Com Minha Sogra em Paquetá
1963 - Sonhando com Milhões
1970 - Se Meu Dólar Falasse
1980 - Bububú no Bobobó
1983 - O Menino Arco-Íris
1993 - Oceano Atlantis
2000 - Célia & Rosita
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