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Cidade natal de "Che" Guevara lembra os 80 anos do nascimento do guerrilheiro

14/06 - 20:16 - EFE

Mar Marín Rosário (Argentina), 14 jun (EFE).- Mais de 40 anos após sua morte, Ernesto "Che" Guevara se transformou em "profeta em sua terra", e hoje a cidade argentina de Rosário lembrou os 80 anos do nascimento do guerrilheiro com a inauguração de uma gigantesca estátua em sua memória.

Milhares de pessoas participaram da festa organizada em Rosário em homenagem a "Che", que transformou em um mito para os jovens esquerdistas latino-americanos e um dos mais importantes ícones publicitários do século XX.

Jovens vindos de todo o país, levando bandeiras argentinas, rubro-negras e cartazes reivindicativos, com camisetas e bonés com o rosto do guerrilheiro, lotaram a praça Ernesto "Che" Guevara, onde foi instalado uma estátua do guerrilheiro com o olhar perdido no horizonte, tal como foi retratado pelo fotógrafo cubano Alberto Korda em 1960.

Até os torcedores do Rosário Central, time de futebol para o qual "Che" torcia, se juntaram à comemoração e foram à praça levando bandeiras azuis e amarelas com a imagem do revolucionário.

O ponto alto da festa em Rosário foi a inauguração da estátua de "Che", obra do escultor argentino Andrés Zerneri, feita com mais de 75.000 chaves e objetos de bronze doados por 14.000 admiradores de Guevara.

A estátua de bronze mede quatro metros, pesa três toneladas e mostra o guerrilheiro de corpo inteiro, caminhando e com a expressão eternizada por Korda, com boina e cabelo longo e revolto.

O monumento de Rosário é orientado para o nor-noroeste, para se encontrar com o olhar da escultura do revolucionário que está no mausoléu da cidade cubana de Santa Clara, voltada para o su-sueste.

Antes de ser colocada definitivamente em Rosário - a cerca de 350 quilômetros de Buenos Aires -, a estátua percorreu algumas das mais emblemáticas avenidas da cidade, e navegou pelo Rio Paraná durante quatro dias.

A comemoração reuniu velhos amigos do guerrilheiro, como Alberto Granado, que viajou de Havana para participar da homenagem, e Carlos "Calica" Ferrer; os filhos de "Che", Aleida, Celia, Camilo e Ernesto, residentes em Cuba, e milhares de simpatizantes do ideário de Guevara.

Em nome dos parentes de "Che", Aleida Guevara reivindicou a vigência das idéias de seu pai e perguntou: "De que servem os discursos e os monumentos se não levamos à prática seus ideais?".

Para os octogenários Granado e "Calica", companheiros de Guevara nas viagens de juventude pela América Latina que marcaram a personalidade do guerrilheiro, se "Che" vivesse hoje, teriam que tê-lo "arrastado" para a própria homenagem.

"Merece tudo o que se está fazendo para homenageá-lo, embora talvez não gostasse, porque é um exemplo de juventude, de coragem e de homem que vive e morre por um ideal, e porque o mundo se projeta através de suas idéias", disse Granado em recente entrevista à Agência Efe em Buenos Aires.

Granado e "Calica" lembraram nestes dias as experiências que compartilharam com seu amigo Guevara, quando ainda era "Ernestito", como o chamavam carinhosamente em sua juventude.

Pouco depois, Ernesto Guevara se uniria a Fidel Castro e aceitaria o sobrenome de "Che" com o qual o batizaram seus companheiros na Revolução Cubana.

Após acompanhar Fidel Castro em seus primeiros anos de Governo, Che se lançou à aventura de exportar a experiência revolucionária para a América Latina, até ser capturado e assassinado pelo Exército boliviano em La Higuera, em 1967. EFE mar/an




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