12/06 - 18:37 - Redação
SÃO PAULO – O professor de História da Arte da Universidade de Campinas, Nelson Aguilar, disse acreditar que os ladrões teriam mais dificuldade de assaltar a Pinacoteca do Estado que a Estação Pinacoteca, que segundo ele é um lugar “muito arejado”. “Isso que aconteceu [o roubo] é muito triste e mostra que talvez a Pinacoteca tenha crescido de maneira desordenada”, afirmou. Na manhã desta quinta-feira, três homens roubaram quatro obras que pertenciam à Fundação Jose e Paulina Nemirovsky e estavam emprestadas ao museu. A Estação Pinacoteca é um espaço ligado à Pinacoteca do Estado que fica localizado no prédio da Estação da Luz.
“É muito grave que uma instituição como a Pinacoteca faça um empréstimo de um colecionador e as obras não fiquem sob condições mínimas de segurança”, opinou Nelson Aguilar. “É uma coisa decepcionante, que nos faz regredir na confiança que deve haver entre o museu e o colecionador, que empresta de boa vontade.”
As obras levadas pelos assaltantes foram: "Casal" (1919), de Lasar Segall, guache sobre cartão; "O pintor e seu modelo" (1963), de Pablo Picasso, gravura a água-tinta, ponta-seca e buril sobre papel; "Minotauro, bebedor e mulheres" (1933), de Pablo Picasso, gravura a água-forte sobre papel; "Mulheres na janela" (1926), de Di Cavalcanti, pintura a óleo sobre cartão.
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| "Mulheres na janela", de Di Cavalcanti |
O momento, segundo Aguilar, é decisivo na formulação da arte moderna brasileira. “Não se pode nem dizer que é uma fase do Di Cavalcanti. É o nascimento de uma fase”, comentou. “A possibilidade da perda de uma obra dessa qualidade é algo muito triste.”
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