12/06 - 19:28, atualizada às 09:32 13/06 - Juliana Simon, do Último Segundo
SÃO PAULO - Em entrevista coletiva concedida na tarde desta quinta-feira, o secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, afirmou que, mesmo após as medidas adotadas pela Estação Pinacoteca depois do roubo do Masp, a segurança falhou. "Não esperávamos um roubo à mão armada", disse Sayad, que já acionou a Polícia Federal para fechar o cerco em portos e aeroportos. Nesta quinta-feira, três homens, um deles armado, levaram quatro obras do museu.
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| Polícia divulgou retratos-falados |
Segundo Sayad, as obras não têm seguro. "Não temos seguranças armados. Apesar de ser um lugar com muitas crianças, teremos que pensar em outras formas de segurança", disse.
A Estação Pinacoteca, localizada próxima à Cracolândia, não tem sistema de alarmes, nem detector de metais. Segundo Sayad, a secretaria e o governo do Estado fizeram um plano de segurança para os museus da cidade após o roubo de duas obras do Masp, em dezembro do ano passado.
Ação ousada
Segundo o diretor do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (DEIC), Youssef Abou Chahin, tudo indica que os assaltantes já tinham conhecimento de quais obras iriam roubar. "Eles foram direto para a sala onde estavam as obras", disse.
Os assaltantes não usaram máscaras e entraram como visitantes, pagando o ingresso. "Ou foi ousadia, ou eles não se deram conta das câmeras", disse Chahin.
Chahin afirma que a forma de atuação dos assaltantes pode indicar que eles tenham sido contratados para isso. “Pode ter sido, sim, um crime de encomenda já que havia outras obras mais importantes ao lado das que foram roubadas”, garantiu o diretor.
De acordo com o Deic, os três homens seguiram para o segundo andar e foram para sala onde se encontravam as obras. Lá eles renderam um vigilante e afastaram outros dois.
As duas gravuras de Pablo Picasso estavam parafusadas na parede, sem qualquer proteção. Os quadros, um de Lasar Segall e outro de Di Cavalcanti, também estavam na parede, apenas penduradas. Toda a ação durou cerca de dez minutos.
O assaltantes saíram com as obras envoltas em um saco plástico branco e não foram barrados em nenhum momento. Segundo a polícia, tudo indica que eles foram embora a pé.
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| Ação durou cerca de dez minutos |
Segundo Chahin, a polícia de aeroportos e portos já está mobilizada, caso as obras tenham como destino o exterior.
Relação com furto do Masp
A equipe que investiga o roubo é a mesma que trabalhou no assalto do Masp neste ano. Em dezembro do ano passado, dois quadros foram roubados do Masp: o Lavrador de Café, do pintor brasileiro Candido Portinari, e o Retrato de Suzanne Bloch, do espanhol Pablo Picasso. Os quadros foram recuperados no início de janeiro.
O diretor do Deic, entretanto, afasta a hipótese de que os assaltantes façam parte da mesma quadrilha. Segundo ele, o modo de atuação do grupo que assaltou da Estação Pinacoteca é outra e a linha de investigação também deve ser diferente.
A Estação Pinacoteca possui 25 vigilantes, todos desarmados. De acordo com a polícia, os seguranças do prédio levantaram a suspeita de já terem visto os criminosos no museu em outros dias.
O roubo
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| "O pintor e seu modelo", de Pablo Picasso |
As obras pertencem à Fundação Jose e Paulina Nemirovsky e estavam expostas no segundo andar do edifício.
As obras furtadas são: "Casal" (1919), de Lasar Segall, guache sobre cartão; "O pintor e seu modelo" (1963), de Pablo Picasso, gravura a água-tinta, ponta-seca e buril sobre papel; "Minotauro, bebedor e mulheres" (1933), de Pablo Picasso, gravura a água-forte sobre papel; "Mulheres na janela" (1926), de Di Cavalcanti, pintura a óleo sobre cartão.
Os quatro trabalhos têm um valor aproximado de R$ 1 milhão. A Secretaria de Estado da Cultura se pronunciará após a conclusão das primeiras investigações. O edifício da Estação Pinacoteca permanecerá fechado no resto do dia de hoje e reabrirá na sexta-feira.
A Pinacoteca
A Estação Pinacoteca é um local de exposições mantida pelo Governo
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| "Casal" (1919), de Lasar Segall |
O prédio foi inaugurado em 1914. Antes de se tornar esse espaço cultural, o prédio pertenceu à administração da Estrada de Ferro Sorocabana. Durante o período da ditadura militar, o local se tornou sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), para onde eram mandados os presos políticos.
O prédio ocupado pela Pinacoteca do Estado foi projetado por Ramos de Azevedo em 1897, para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios, instituição que formava técnicos e artesãos para construir as cidades que se enriqueciam com o café.
A Pinacoteca passou por uma grande reforma durante o governo Mário Covas, e, hoje, abriga importantes exposições, como as que realizou com as obras de Rodin e de Miró.
O museu tem um perfil muito definido da arte brasileira do século XIX até a contemporânea. Seu acervo tem cerca de 4 mil peças.
*Com informações da Agência Brasil
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