04/06 - 17:55 - Da Redação do Último Segundo
Os organizadores da famosa Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, anunciaram oficialmente nesta quarta-feira (04), em São Paulo, a programação da 6ª edição do evento, que nos últimos anos se transformou em fenômeno pop e colocou a cidade histórica fluminense no calendário oficial da cultura no país. Mais do que isso: o Ministério do Turismo elegeu Paraty referência em turismo cultural dentro do Plano Aquarela, que define as bases para divulgação do Brasil no exterior, e vai elaborar até 2010, em conjunto com o grupo gestor local, um plano estratégico para colocá-la definitivamente no mapa do mundo.
No entanto, além de atrair centenas de turistas e curiosos entre os dias 02 e 06 de julho, a Flip permanece como uma das principais datas no mercado literário nacional, atraindo escritores, livreiros e estudantes de todos os cantos nas apertadas ruas da cidade para ouvir grandes nomes da literatura brasileira e internacional. Sem estrelas, a programação deste ano está sendo considerada pela organização como a mais bem articulada do ponto de vista intelectual, levando-se em conta a montagem dos participantes das mesas.
Nesta edição, devem lotar a tenda de debates o dramaturgo britânico Tom Stoppard, um dos mais importantes nomes do teatro em atividade no mundo; o holandês Cees Nooteboom, cotado várias vezes para o prêmio Nobel; o colombiano Fernando Vallejo, destaque da literatura latino-americana; e, o mais popular de todos, Neil Gaiman, romancista e um dos principais autores de quadrinhos das últimas décadas.
Pela primeira vez a festa terá a presença de autores da Itália e Alemanha, que é o caso, respectivamente, de Alessandro Baricco, considerado um dos grandes nomes de sua geração, e Ingo Schulze, alemão com maior evidência e repercussão na Europa atualmente. Da África, desembarca em Paraty a nigeriana Chimamanda Adichie, militante quanto ao olhar do mundo sobre seu continente, e o angolano Pepetela, identificado com a integração lusófona.
Entre os brasileiros, figuras conhecidas do grande público – Luis Fernando Veríssimo, Caco Barcellos, entre muitos outros – e pensadores como Roberto Schwarz, Rodrigo Naves, Sérgio Paulo Rouanet, Flora Sussekind, Contardo Calligaris e José Miguel Wisnik. De acordo com Flávio Moura, diretor de programação da Flip, o que norteou a programação deste ano, dividida em 20 mesas, foi a “idéia de ter nomes acima de qualquer suspeita, de calibre incontestável”.
Também foi considerado o diálogo com outras artes e estilos, trazendo autores ligados à psicanálise (Elisabeth Roudinesco), história (Tony Judt), biografia (Humberto Werneck) e música (Carlos Lyra, Vitor Ramil). “A interdisciplinaridade não reflete um desvio de rota, mas um diálogo com campos próximos”, garante Moura.
Nesse sentido, dá o exemplo das mesas compostas por Gaiman (quadrinhos) e Richard Price (romance policial), de áreas diferentes, mas que quebraram os moldes de seus gêneros, e do debate da diretora argentina Lucrecia Martel (“O Pântano”, “Menina Santa”) e do premiado escritor gaúcho João Gilberto Noll, ambos ousados em linguagem e narrativa. Martel, inclusive, será, ao lado de Karim Aïnouz (“O Céu de Suely”, “Madame Satã”), responsável pelo lado educativo da Flip, ao ministrar a tradicional oficina literária, que, esse ano, aborda o roteiro cinematográfico.
Homenagem a Machado de Assis
O centenário da morte de Machado de Assis, homenageado nesta edição da festa, será lembrado, segundo Sérgio Moura, de forma “comedida, discreta, mas crítica e equilibrada”. A abertura ficará a cargo de Roberto Scharwz, o intérprete de maior destaque da obra do autor no país, que vai apresentar um ensaio inédito sobre “Dom Casmurro”. No outro extremo, no dia de encerramento, acontece outra mesa, desta vez com a participação do embaixador de Sérgio Paulo Rouanet, que está organizando a correspondência de Machado; da pesquisadora Flora Sussekind, uma das autoras de um perfil a ser lançado ao longo do evento pelo Instituto Moreira Salles; e do diretor Luiz Fernando Carvalho (“Hoje é Dia de Maria”, “Os Maias”), que trabalha em uma adaptação de “Dom Casmurro”, chamada “Capitu”, para a Rede Globo.
As crianças, por sua vez, são atendidas pela Flipinha que, em uma programação paralela, traz atividades específicas e dá espaço para trabalhos produzidos pelos jovens de Paraty. De acordo com Mauro Munhoz, presidente da Associação Casa Azul – ONG que promove a revitalização urbana da cidade e é responsável pela organização da Flip –, a atividade dos estudantes locais é o primeiro passo para a mudança do panorama literário local, que, segundo ele, será alterado a longo prazo, com a realização de programas durante todo o ano na cidade.
Os organizadores esperam receber esse ano, ao longo dos cinco dias, o mesmo público de 2007, que variou entre 15 e 20 mil pessoas. Uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) vai procurar estabelecer, nesta próxima edição, o número total de pessoas e o perfil real dos freqüentadores.
Os ingressos estarão à venda a partir da próxima terça-feira (10) pelo site do Ingresso Rápido, com o mesmo valor do ano passado: R$ 25 para a tenda dos autores, R$ 7 para tenda do telão, onde as conferências são retransmitidas, e R$ 25 para o show de abertura, com Luiz Melodia. Também há a expectativa de que os debates sejam veiculados em tempo real pela Internet, mas a viabilidade técnica do projeto ainda está sendo estudada. Enquanto isso não é resolvido, os interessados em assistir a festa devem ficar atentos – em 2007, as entradas para alguns dos eventos se esgotaram nas primeiras horas.
Confira a programação principal da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty:
Quarta-feira (02/07)
19h: “A poesia envenenada de Dom Casmurro”, com Roberto Schwarz
21h30: show de abertura, Luiz Melodia
Quinta-feira (03/07)
10h: “Primeiro tempo”, com Adriana Lunardi, Emilio Fraia, Michel Laub, Vanessa Barbara
11h45: “O espelho”, com Elisabeth Roudinesco
15h: “Retrato em branco e preto”, com Carlos Lyra, Lorenzo Mammì
17h: “Conversa de botequim”, com Humberto Werneck, Xico Sá
19h: “Admirável mundo velho”, com Tony Judt
Sexta-feira (04/07)
10h: “Formas breves”, com Ingo Schulze, Modesto Carone, Rodrigo Naves
11h45: “Ficções”, com João Gilberto Noll, Lucrecia Martel
15h: “Os fuzis”, com Caco Barcellos, Misha Glenny
17h: “Estética do frio”, com Martín Kohan, Nathan Englander, Vitor Ramil
19h: “Veludo cotelê”, com David Sedaris
Sábado (05/07)
10h: “Guerra e paz”, com Chimamanda Adichie, Pepetela
11h45: “A mão e a luva”, com Neil Gaiman, Richard Price
15h: “Fábulas italianas”, com Alessandro Baricco, Contardo Calligaris
17h: “Paraíso perdido”, com Cees Nooteboom, Fernando Vallejo
19h: “Shakespeare, utopia e rock’n’roll”, com Tom Stoppard
Domingo (06/07)
10h: “Os livros que não lemos”, com Marcelo Coelho, Pierre Bayard
11h45: “Sexo, mentiras e videotape”, com Cíntia Moscovich, Inês Pedrosa, Zoë Heller
15h: “Papéis avulsos”, com Flora Süssekind, Luiz Fernando Carvalho, Sergio Paulo Rouanet
17h: “Folha seca”, com José Miguel Wisnik, Roberto Damatta
19h: Convidados da Flip 2008 lêem trechos de seus livros prediletos
Leia mais sobre: Flip
Publicidade