19/05 - 16:10 - AFP
O "decano dos cineastas", o português Manoel de Oliveira, que completará cem anos em dezembro, foi homenageado nesta segunda-feira pelo Festival de Cannes, que lhe concedeu a Palma de Ouro por sua carreira - a primeira que recebe, na presença dos membros do júri e de Clint Eastwood.
Oliveira recebeu a Palma de Ouro das mãos do francês Michel Piccoli, um de seus atores favoritos.
"Estou muito emocionado por esta Palma de Ouro que recebo finalmente", declarou maliciosamente o cineasta, fazendo graça.
Oliveira ganhou o Prêmio do Júri em 1999 pelo filme "A Carta" e o Prêmio da Crítica Internacional em 1997 por "Viagem ao princípio do mundo", mas Cannes nunca o havia coroado com a Palma de Ouro.
"Aprecio enormemente recebê-la desta maneira, porque não gosto da competição com meus colegas. Esta é a melhor maneira de receber um prêmio", afirmou.
Considerado o "decano dos cineastas em atividade", Oliveira nasceu em 12 de dezembro de 1908 na cidade do Porto e se considera o último sobrevivente dos "bons velhos tempos do cinema".
O cineasta português foi calorosamente aplaudido ao entrar na sala, assim como o ator e diretor Clint Eastwood.
A homenagem começou com a projeção de um curta-metragem do presidente do Festival, Gilles Jacob, e intitulando "Um dia na vida de Manoel de Oliveira". Jacob afirmou que esta Palma de Ouro não apenas homenageia "a antiguidade, mas a enaltece".
"Aqui estamos em meus cem anos, 78 dos quais consagrados a esta paixão que nos une a todos aqui: o cinema. Cresci ao longo de um século com o cinema, e hoje sei que o cinema me fez crescer", disse o cineasta, antes de gritar "Viva o cinema!".
A homenagem foi concluída com a projeção da primeira obra de Oliveira, "Douro, Faina Fluvial", de 1931.
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