16/05 - 13:01 - Redação com Ansa
CANNES, 16 MAI (ANSA) - Nesta sexta-feira acontece a projeção do primeiro filme francês em concurso no 61ª Festival de Cinema de Cannes, "Un conte de Noël" ("Um Conto de Natal"), do diretor Arnaud Desplechin – que concorre pela quarta vez à Palma de Ouro –, com Catherine Deneuve no elenco.
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Uma sinfonia familiar mais que harmônica, uma história terrível de segredos, amores aparentes, outros escondidos, venenos e antídotos e nesse ninho de víboras reina uma mãe de família como Catherine.
É uma reunião de família toda especial aquela colocada em cena na grande casa de Roubaix. Prepara-se o Natal e faz-se as contas com o passado e o futuro, a vida de todos passa sob a lente de aumento do diretor, como um cirurgião na sala de operação. No centro, o tabu da falta de amor pelos filhos.
| Getty Images |
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| Chiara Mastroianni e a mãe, Catherine Deneuve, estão no elenco do filme francês |
"Quando faço um filme devo me apropriar das coisas, sou, antes de tudo, espectador da vida, mas o cinema, quando nos esforçamos, é mais bonito que a realidade", disse o diretor.
A história parte do ocorrido com Joseph, o primogênito de Junon (Deneuve) e Abel (Jean Paul Roussillon), morto aos 6 anos de idade de leucemia após não ter encontrado um doador compatível, mesmo os pais tendo tido um outro filho, Henri, apenas para conseguir o transplante.
É assim que Henri (Mathieu Amalric) cresce com a culpa, odiado pela irmã Elizabeth (Anne Consigny), suportado pelo irmão Ivan (Melvil Poupaud) e pelo primo Simon (Peurent Capelluto).
Elizabeth vai a um tribunal para salvá-lo de algumas dívidas com o acordo de que a partir de então ele irá desaparecer de suas vidas.
A mãe Junon irá descobrir, no entanto, que tem a mesma doença que matou seu filho. Paul, o lunático adolescente filho de Elizabeth, é doador compatível, mas um relatório médico aponta que Henry também o é.
Neste meio tempo, Silvia (Chiara Mastroianni) descobre ser o amor secreto de Simon, acabando na cama com ele na noite do Natal.
Mas das tantas cenas chave, uma é central, a mais difícil para Deneuve: "Tive dificuldades em pronunciar aquela frase, dizer a um filho que não o amo. Nós somos programadas para amar os filhos, mas nem sempre é assim. Nunca, no entanto, se consegue admitir. De resto, Desplechin coloca em cena um casal, Junon e Abel, forte, exclusivista, capaz de deixar de fora todos os outros, os filhos inclusive".
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Até mesmo as cenas da doença, a descoberta do câncer, o cálculo das possibilidades de sobrevivência, têm um lado de humor, mas não aquelas com o filho Henri.
Deneuve continua a figurar entre as atrizes francesas mais procuradas, também entre os diretores jovens: "envelheço bem graças à minha curiosidade, talvez por isso que os novos diretores também me escolham".
Interpretar junto da filha Chiara Mastroianni não criou para ela "nenhuma dificuldade". "Era estranho no início, agora é divertido. No set a considero uma atriz como as outras", afirma.
Desplechin, de 47 anos, que havia dirigido Deneuve também em "Reis e Rainha" (2004), define seu olhar "neutro". "Apresentei a família como ela é, lugar de venenos, às vezes em guerra, outras embaraçantes, sempre interessante. Contei como uma fábula, sem, no entanto, a moral no final", explica.
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