25/03 - 19:29 - Da Redação do Último Segundo
SÃO PAULO - Seal afirma ser um homem calmo, mas duas coisas o tiraram do sério na tarde desta terça-feira. Em entrevista coletiva em São Paulo para divulgar a turnê brasileira que começa amanhã, o cantor britânico perdeu a paciência com a tradutora, que ele acusou de resumir demais as suas respostas, e quando lembrou dos problemas que vem enfrentando com a imprensa norte-americana.
Pontos de conflito à parte, Seal se mostrou feliz com seu novo trabalho, o álbum System, e falou com satisfação de seu retorno ao Brasil. Ele faz dois shows em São Paulo nesta quarta e quinta, seguidos de apresentações únicas no Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.
Apesar de ter o país no sangue – seu avô paterno é brasileiro –, a primeira e última vez que Seal se apresentou por aqui foi em 1992, quando participou do extinto festival Hollywood Rock. “Uma das coisas que eu quase lamento na minha carreira é não ter vindo ao Brasil mais vezes e também não ter ido a outros lugares. Quando estive aqui, eu era jovem, tinha outra atitude, outra banda e toquei em um festival onde eu não era o centro das atenções. Agora vai ser muito diferente”, diz. “Finalmente tenho um disco que vai ser bom mostrar no Brasil. Os brasileiros gostam de dançar e no show desse disco eles vão ter muitas oportunidades de fazer isso”.
E o inglês tem motivos para falar com orgulho sobre seu novo trabalho. Em System, lançado no final de 2007, Seal voltou a prestar atenção na dance music que o revelou e o mundo voltou a prestar atenção em Seal. O trabalho lhe rendeu até uma indicação ao Grammy para a faixa “Amazing”, primeiro single retirado deste álbum.
Um dos trunfos de System é a produção de Stuart Price, nome responsável por Confessions on a Dance Floor, de Madonna. “Eu queria fazer um disco para as pessoas dançarem, mas com boas canções”, explica. “No início da carreira era muito fácil para mim combinar a dança, o canto e boas letras porque eu estava vivendo dentro da cena da dance music, e para fazer boa dance music você precisa vivê-la. Agora minha vida mudou, tenho esposa e três filhos, então eu procurei uma pessoa que estivesse próxima da cultura dance para fazer essa conexão”.
Assim Stuart Price reaproximou Seal de seu passado electro e suas influências de música dançante deixando para ele o trabalho de compor boas letras e melodias, uma preocupação constante na fala do cantor. Além das faixas do trabalho atual, Seal promete voltar aos antigos hits nas apresentações do Brasil, incluindo os sucessos “Crazy” e “Kiss From a Rose” em seu set list.
Mas é à sua vida pessoal, no entanto, que Seal deve o renascimento de sua carreira musical, já que boa parte das atenções que conquistou com System se deve ao casamento com Heidi Klum, beldade alemã eleita a modelo mais sexy de 2008. O feliz casal, contudo, está sofrendo com a marcação dos paparazzi. “Meus filhos vão a boas escolas para ter uma educação que eu nunca tive e nós moramos em uma boa casa, então os paparazzi são um preço barato a pagar”, contemporiza, para logo perder a paciência: “Eu preferia sufocar em meu próprio vômito a ter um trabalho desse. Eles são como animais, avançam como lobos e querem destruir a vida das pessoas. Há pessoas loucas no mundo e, graças aos paparazzi, essas pessoas sabem onde encontrar minha filha de três anos. Algo precisa ser feito antes que alguém se machuque”.
Seal se apresenta no HSBC Brasil (antigo Tom Brasil, em São Paulo) dias 26 e 27 de março, às 21h30, na HSBC Arena (RJ) dia 29 a partir das 22 horas, no Teatro Positivo (Curitiba) dia 1 de abril, às 21h e no Pepsi On Stage (Porto Alegre) dia 3 às 21h.
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