Redação central, 23 mar (EFE).- O músico cubano Israel López, mais conhecido como "Cachao" ou "O Rei do Mambo", morreu no último sábado aos 89 anos.
Nascido em Havana, em 1918, descendente de espanhóis e filho de professores de contrabaixo, Cachao iniciou na música aos oito anos como percussionista de bongos no conjunto "Bella Mar".
Nessa época, o pequeno que se tornaria uma lenda da música cubana também fazia aulas de piano e baixo e freqüentava a escola.
Depois de tocar em trilha de fundo para filmes mudos no Teatro Carral, de Guanabacoa, com 12 anos ingressou como contrabaixista na Orquestra Filarmônica de Havana, onde já tocavam seu irmão mais velho, Orestes, e seu pai.
A partir desse momento, sua vida passou a ser rodeada de música clássica e popular. À tarde tocava clássicos e, pela noite, longe da sinfônica, melodias em improvisações nas seções populares conhecidas como "jam sessions".
Cachao continuou com a sinfônica nos 30 anos seguintes, onde conheceu importantes diretores e brilhantes instrumentistas. No entanto, nunca se afastou de sua grande paixão: a música popular com ritmos como guarachas e rumbas.
Em 1937, junto com seu irmão Orestes inventou o mambo sobre uma variação de um ritmo cubano. O mambo, que em dialeto locumi quer dizer "história", se transformaria em uma das senhas musicais cubana.
Mais tarde, na década de 1950, o músico Dámaso Pérez Prado o popularizaria internacionalmente.
Em 1962 abandonou Cuba, após a instauração do regime de Fidel Castro. Seu primeiro destino seria a Espanha, onde tocou em cabarés e salas de festa; mas, como outros cubanos, não demorou em se mudar para os Estados Unidos.
Viveu em Nova York por um tempo e, em 1970, foi para Las Vegas onde permaneceu por cerca de oito anos, conseguindo certa fama.
Finalmente, em 1978, fixou sua residência em Miami, onde estava mais próximo de seus compatriotas.
Saindo do quase anonimato começou de novo a ganhar a vida. Foi pianista de "night clubes", tocou em festas e acompanhou cantoras.
Entrou na Sinfônica de Miami e interpretou óperas e zarzuelas (tipo de ópera cômica espanhola) enquanto em seu tempo livre continuava tocando nas célebres "jam sessions".
No início da década dos anos 1990, o ator de origem cubana Andy García o redescobriu para o grande público graças a seu documentário "Cachao, Como su Ritmo no Hay Dos" (1993). Até aquele momento, após mais de 50 anos de profissão, não era mais que um brilhante músico de aluguel, conhecido, mas não famoso.
Em março de 1995, o mundo da música reconheceu seu trabalho e lhe premiou com um "Grammy" de melhor disco latino por seu "Master Sessions", o primeiro de uma trilogia sobre sua carreira. Seu segundo Grammy foi obtido pelo disco "Ahora si!" em 2005.
Cachao fez participações em pelo menos três mil canções. Sua produção é hoje uma referência obrigatória para conhecer a história recente da salsa. Em seu legado constam obras-primas como "Cachao y su ritmo caliente", "Camina Juan Pescao", "Jam Session with feeling" ou "Descargas cubanas".
Colaborador e companheiro de personalidades do cacife de Paquito D'Rivera, Pérez Prado, Néstor Torres ou Nelson González - seu contrabaixo foi imortalizado, por exemplo, em "Mi tierra", o milionário disco de Gloria Stefan, e no filme "Two much", de Fernando Trueba.
Em abril de 2006 atuou em Miami no auditório James Knight Center diante de cinco mil pessoas junto a outras lendas da música cubana como o trombonista Generoso Jiménez e o trompetista Alfredo "Chocolate" Almenteros em um concerto organizado por Andy García.
Em outubro de 2007 recebeu o Prêmio Fama por sua trajetória e contribuição à música latina conferido pela revista americana "Fama".
Há cinco anos, em entrevista à Agência Efe, ao ser perguntado como gostaria de ser lembrado, Cachao não vacilou em responder: "Como um músico preocupado sempre em manter as raízes da música cubana". EFE jg/fb