Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostra que não é apenas má impressão: os preços dos ingressos para shows internacionais de rock e pop no Brasil explodiram nos últimos dez anos.
Hoje, chegam a um valor, em média, quatro vezes superior ao praticado em 1998. Alguns casos recentes chamaram a atenção pelo inusitado do preço máximo cobrado. Os shows de Bob Dylan no Via Funchal, nos dias 5 e 6, tiveram ingressos de até R$ 900. O concerto do maestro Ennio Morricone, previsto para a próxima segunda, dia 24, tem entradas por até R$ 1,5 mil.
O problema não é cambial, como acontecia nos anos 90. O dólar, em 1998, estava em torno de R$ 1,20; em 2008, gira próximo de R$ 1,70. Também não é uma conjuntura circunstancial: os preços altos dos tíquetes, no Brasil, vieram para ficar, segundo avaliação de empresários e produtores do ramo ouvidos pela reportagem.
"Acredito que isso já seja um reflexo da conjuntura mundial", diz Monique Gardenberg, dona da Dueto Produções, que realiza o TIM Festival, o maior do gênero na América Latina. "O excesso de liquidez dos países ricos gera a busca por novos investimentos, e o entretenimento surge como uma nova possibilidade de negócio. Neste sentido, grandes grupos, outrora ligados a atividades distintas, passam a investir no negócio 'ao vivo'", avalia.
Há fatores internos que colaboram para o encarecimento dos ingressos, justificam os empresários. No Brasil, a proliferação das produtoras e a chegada de grupos multinacionais estrangeiros, além do surgimento de novos eventos musicais associados a empresas, inflacionaram o mercado. "Hoje, a demanda brasileira é maior do que a oferta internacional de shows. Ocorre, portanto, um leilão que acaba por inflacionar o mercado, criando sérias conseqüências para as platéias, se não for observado o aspecto do poder aquisitivo do público, e para os mercados vizinhos, como Argentina e Chile', considera Monique. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".