06/03 - 16:20 - Da Redação do Último Segundo
“Já fumei maconha várias vezes. Não tenho problema nenhum com isso.” A polêmica frase é do cineasta José Padilha, diretor de “Tropa de Elite”, em entrevista concedida à revista Playboy brasileira dias depois de ganhar o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cinema de Berlim.
Defensor de que o uso de drogas incentiva o tráfico, como o longa-metragem ilustra nas entrelinhas, Padilha afirmou à publicação, em sua edição de março, que o plantio da erva para consumo próprio, por outro lado, não traz conseqüências negativas. “Você plantar maconha em casa e fumar é qualitativamente diferente de você comprar maconha de um traficante armado que domina uma favela”, sustentou. “O problema não é a droga em si. O problema é a regra do jogo.”
Em relação ao “jogo”, Padilha se mostrou favorável à legalização da maconha e até da cocaína, em circunstâncias diferenciadas. Na opinião do diretor carioca, a violência cairia com a descriminalização das drogas e, ao contrário do que pensam, segundo ele, alguns setores da sociedade, a mudança não causaria a migração dos traficantes para outros tipos de crimes.
“É muito mais difícil e arriscado assaltar na rua que vender drogas numa favela”, apontou Padilha. “Existe uma coisa implícita aí. Se a violência mudar para seqüestro e roubo, vai morrer gente rica e isso incomoda realmente. Violência na rua incomoda mais que violência na favela.”
Em relação à pirataria da qual o “Tropa de Elite” foi vítima (pesquisas apontam que o filme foi visto por 11,5 milhões de pessoas antes do lançamento), Padilha contou que só guarda uma cópia dos DVDs piratas que deram origem à febre no país. Ao chegar de uma viagem aos Estados Unidos, o cineasta soube através de amigos que Flora Gil, esposa do ministro da Cultura, Gilberto Gil, promoveria uma sessão do filme em sua casa, a partir de uma cópia ilegal.
Padilha disse que, indignado, foi até a casa de Gil e, para sua surpresa, a empregada que atendeu a porta confirmou que o DVD estava lá e o entregou para ele. Posteriormente, Flora se desculpou publicamente e afirmou não saber que se tratava de uma cópia pirata, mas Padilha disse que resolveu conservar o disco como lembrança. “[Guardei] esse [DVD] que recebi da empregada do ministro porque realmente achei que tinha um simbolismo, falava alguma coisa sobre o país”, explicou, bem humorado.
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Cópias pirata de “Tropa de Elite” já podem ser encontradas em todo o país