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OTAN teme retaliações no Afeganistão após estréia de filme contra o Islã

05/03 - 16:48 - Agência Ansa

BRUXELAS, 5 MAR (ANSA) - A OTAN declarou estar "muito preocupada" com as possíveis conseqüências para seus soldados no Afeganistão da estréia de um filme do deputado de extrema-direita holandês Geert Wilders com críticas ao Islã.

Wilders anunciou que colocará disponível na internet um filme no qual pretende mostrar que o Corão é um livro "fascista" e o profeta Maomé "um bárbaro".

"Estamos muito preocupados com o potencial desencadeador de um filme que, mesmo não tendo sido ainda exibido, causou manifestações de protesto e poderia levar a casos de violência", disse o porta-voz da OTAN, James Appathurai.

No último domingo, o secretário geral da OTAN, Jaap de Hoop Scheffer, expressou sua preocupação pelas tropas holandesas que se encontram no Afeganistão -- um total de 1.600 soldados.

Um porta-voz dos talibãs anunciou que os ataques contra soldados se intensificarão se o filme, considerado "altamente ofensivo" ao Islã, for exibido.  

Protestos

Cerca de 5 mil manifestantes saíram à rua hoje na província afegã de Logar, ao sul de Cabul, para protestar contra os ataques israelenses na Faixa de Gaza e contra a republicação em vários meios de comunicação dinamarqueses da sátira a Maomé que em 2006 desencadeou intensas reações por parte da comunidade islâmica. 

O protesto reuniu estudantes e religiosos, alguns dos quais queimaram bandeiras holandesas e dinamarquesas e pediram ao mundo muçulmano que se alinhe ao lado do povo palestino para a obtenção de armas e dinheiro. 

Na última terça-feira, 300 parlamentares do Afeganistão condenaram a atitude dinamarquesa e a decisão do deputado e cineasta holandês de exibir um filme contra o Corão, pedindo ao presidente afegão Hamid Karzai a convocação dos embaixadores de ambos os países e a formulação de um protesto oficial. 

O embaixador holandês no Paquistão foi convocado hoje pela chancelaria do país para ouvir os protestos do Paquistão contra o anúncio da estréia do filme hostil ao Corão.
Um porta-voz da chancelaria paquistanesa definiu o filme como uma blasfêmia e disse que ele será discutido na reunião da Organização dos Estados Islâmicos. 

"O filme não tem nada a ver com a liberdade de expressão, deveria oferecer as condições para advertir onde se encontra o limite entre a liberdade de expressão e o direito de insultar", disse o porta-voz. 

"Corão fascista"

O filme polêmico é uma produção de Geert Wilders, deputado e líder do partido de extrema-direita PvV (Partido da Liberdade, em holandês), que já recebeu numerosas ameaças de morte e vive rodeado por guarda-costas. À imprensa local, o político explicou em diversas ocasiões que queria fazer um filme para mostrar que o Corão é um "livro fascista" que incita à violência, e manifestou a intenção de lançar a produção no início deste ano.

O Ministério das Relações Exteriores da Holanda teria entrado em contato com Wilders, conhecido por suas posições inflexíveis em relação ao Islã e aos muçulmanos, sugerindo-lhe cautela, sem obter sucesso.

O assunto é muito sensível na Holanda desde o lançamento de "Submission" (2004), curta-metragem que trata da condição da mulher muçulmana, motivo pelo qual o diretor Theo Van Gogh foi assinado a golpes de punhalada em 2004. A roteirista do filme, Hirsi Ali, esteve sob proteção e chegou a deixar a Holanda por um período para viver nos Estados Unidos. (ANSA)  





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