03/01 - 18:36 - AFP
A imagem de Simone de Beauvoir, notadamente entre as mulheres, é ainda mais forte no exterior do que na própria França, em particular nos Estados Unidos, estimou o ex-ministro francês Huguette Bouchardeau, que acaba de consagrar à escritora uma biografia por ocasião do 100º aniversário de seu nascimento.
AFP: O que Simone de Beauvoir representou para as mulheres de seu tempo?
Huguette Bouchardeau (HB): Foi alguém que teve muita influência sobre as mulheres da minha geração e nas seguintes. As mulheres muito mais jovens que eu têm profundo respeito pelo que ela fez. Na minha juventude, ela tinha um trabalho teórico, mas também sua maneira de viver, que era como uma janela aberta. A partir de "Memórias de uma moça bem-comportada", as pessoas reconheceram seus esforços pela libertação de certo conformismo e por jogar uma carta de liberdade.
AFP: O feminismo é o coração de sua obra?
HB: Este é o único engajamento que ela teve, apesar de sua parceria com Sartre. Ela sempre agiu com ânimo e simplicidade. As que militaram com ela sempre a descreveram com simplicidade e seriedade em sua militância feminista.
Ela caracteriza uma geração de esquerda que procura um modelo de renovação da sociedade.
No exterior, sua aura é ainda mais importante que na França, em particular nos Estados Unidos. Os estudos beauvoiriennes congregam mais pessoas nas universidades americanas.
AFP: Vinte anos depois de sua morte, Beauvoir continua sendo lida?
HB: Ainda se lê muito trechos de "O Segundo Sexo", o resumo de seu pensamento. O que Simone de Beauvoir queria, era ser uma grande escritora de literatura e não de filosofia. Seus livros de literatura, como "Os Mandarins", que a fez ganhar o prêmio Goncourt, são menos lidos atualmente que os depoimentos sobre sua vida, os quatro volumes de suas memórias ou "O Segundo Sexo". Mas durante muito tempo, ela teve muito sucesso tanto com seus romances e suas novelas, quanto com seus livros de memórias. "Os Mandarins" foi muito vendido.
dch/ pg
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