20/12 - 19:12, atualizada às 06:34 21/12 - Redação
SÃO PAULO – Os quadros "O retrato de Suzanne Bloch" (1904, óleo sobre tela, 64X55 cm), de Pablo Picasso, e "O Lavrador de Café" (1939, óleo sobre tela, 100x181cm), de Cândido Portinari, roubadas na madrugada desta quinta-feira do Museu de Arte de São Paulo (Masp) são das mais representativas e valiosas dos pintores, avaliaram especialistas em obras-de-arte ouvidos pelo Último Segundo.
A pintura de Picasso
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| "O retrato de Suzanne Bloch", de Picasso |
O marchand - profissional que promove artistas plásticos e comercializa obras - afirmou ter mais de 400 livros sobre Picasso. Ele disse que a avaliação feita é baseada em parâmetros e comparações das últimas vendas de quadros do artista, já que o retrato nunca foi a leilão. “Há menos de um ano foi vendido, em Nova York, o quadro "Garçon a la pipe" (“Garoto com cachimbo”) por US$ 104 milhões. Porém, este tinha uma dimensão maior, mais de um metro de altura”, lembra Bergamin.
A pintura de Portinari
A presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), Elvira Vernaschi, afirmou que a obra "O Lavrador de Café" é uma das mais representativas da carreira do pintor. "Ela tem um valor cultural e estético inestimável", afirma Elvira.
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| "O Lavrador de Café", de Portinari |
De acordo com a presidente, a pintura, de 1939, faz parte da série de obras em que Portinari retrata o povo brasileiro. Ela é do mesmo período, por exemplo, dos famosos painéis que o brasileiro pintou para a sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.
"O Lavrador de Café" está na coleção do Masp desde a inaguração do museu, em 1947. Na opinião do diretor-presidente da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, Jones Bergamin, a tela deve valer cerca de R$ 10 milhões. "É um marco da arte de Portinari", afirma.
Mas não será uma obra fácil de vender. "É uma pintura bastante conhecida, inclusive pelo grande público", explica Elvira Vernaschi. A crítica tem certeza que o grupo responsável pelo roubo "tinha consciência do que queria".
"Os diretores dos museus brasileiros têm que redobrar o seu olhar", diz, lembrando os furtos ocorridos no Museu Nacional, em 2004, e na Chácara do Céu, em 2006, ambos no Rio de Janeiro. "As autoridades têm mais uma questão de segurança para se preocupar", conclui.
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