15/12 - 16:45 - EFE
Manuel Pérez Bella Rio de Janeiro, 15 dez (EFE).- O arquiteto Oscar Niemeyer, um dos criadores de Brasília, minimizou hoje a celebração de seus 100 anos dizendo que "não tem muito sentido" e destacou as provas de amizade que recebeu dos amigos.
Pai do modernismo na arquitetura, Oscar Niemeyer completa 100 anos; assista à cronologia de sua obra
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"Tento fazer o melhor possível pensando neste mundo difícil. Não sou pessimista, mas sei que o ser humano não tem muito sentido para as coisas. Acham que esta comemoração dos meus 100 anos é importante, mas o que vale é a prova de amizade que estou recebendo hoje", declarou.
Não acostumado a esse tipo de festas, Niemeyer comemorou, em meio a charutos, vinho, presentes e sorrisos, seu aniversário na Casa das Canoas, residência de estilo modernista construída em 1951.
Estiveram presentes familiares, amigos, colegas de profissão e autoridades.
Mas por causa da data, não pôde evitar que uma grande quantidade de jornalistas e fotógrafos o cercassem para conseguir uma foto de Niemeyer e do bolo de seu aniversário.
Nesta semana, o arquiteto recebeu diversas homenagens.
Na quarta-feira, Niemeyer recebeu do Governo francês o título de Comendador da Ordem Nacional da Legião da Honra.
Niemeyer, comunista declarado, teve de deixar o Brasil na década de 1960 para fugir da ditadura militar.
Na França, encontrou um ambiente para desenvolver sua arquitetura de curvas apuradas e sensuais e fazer amizades com outros arquitetos e pensadores como Le Corbusier.
Em 70 anos de carreira, Niemeyer assinou a planta de pelo menos 600 projetos diferentes.
Seu conjunto de obras mais famoso foi Brasília, que foi inaugurada com o apoio do então presidente, Juscelino Kubitschek (1956-1961).
A construção de uma nova capital era a "menina dos olhos" do plano de crescimento proposto por JK, de "50 anos em cinco" e que visava ao crescimento do interior do país.
O urbanista Lúcio Costa foi o responsável pelo desenho do Plano Piloto, em forma de avião.
Niemeyer ficou responsável pela criação de todos os edifícios da nova capital, das casas até os palácios.
O arquiteto surpreendeu com os Palácios da Alvorada e do Planalto.
O Congresso Nacional, com suas torres estilizadas em forma de H e duas cúpulas, uma delas invertida, causou grande admiração na época por sua audácia.
Sobre a beleza do Palácio do Itamaraty e a serenidade do Ministério da Justiça, juntamente com a ousadia da Catedral, Niemeyer disse que "poderá agradar ou não, mas nunca ninguém viu coisa parecida".
O atrevimento do artista fez com que alguns de seus projetos, como a mesquita de Argel, nunca saíssem do papel pela resistência de mentes mais conservadoras.
Já obras-primas como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, que lembra uma nave espacial sobre uma superfície inclinada, vizinha ao Rio de Janeiro, saíram do papel direto para a história.
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