14/12 - 18:44 - Carolina Fernandes
O trabalho de Oscar Niemeyer é reconhecido em todo o mundo, mas foi pelas muitas parcerias com profissionais e escritórios em solo nacional que seu trabalho pôde ser conduzido. Mais do que colegas de trabalho, no enquanto, Niemeyer conquistou, acima de tudo, admiradores.
É o caso de Ciro Pirondi, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Escola da Cidade, em São Paulo, que conheceu Niemeyer em 1983. “Acho ele uma das figuras mais importantes do mundo”, esclarece. “Não só da arquitetura, mas em termos culturais. A arquitetura dele transcende a própria arquitetura.”
Pirondi morava fora do país e escreveu um texto para a revista que Niemeyer dirigia na década de 1980. Quando voltou para o Brasil, procurou o arquiteto e iniciou a amizade. Em 1998, o urbanista foi convidado a reformar o edifício Copan. “Ele [Niemeyer] me ligou e perguntou se tinha interesse em fazer o trabalho, respondi que sim.”
Uma curiosidade é que Niemeyer sempre desenhou em pé, e que mesmo aos 100 anos o processo não é diferente. “Até hoje ele desenha de pé e quando você entra na sala tem um monte de papel no chão, você acaba pisando nos rascunhos, para ele é normal”, revela Pirondi. Quanto à reforma do Copam, nunca foi concluída. “Levei os desenhos e a maquete para ele e tudo foi aprovado, mas a reforma ainda não foi feita por falta de recursos. Estamos atrás de parcerias para levantar esse valor”, explica.
Liberdade é a chave
Para o arquiteto Arthur Casas, criador da loja do estilista Alexandre Herchcovitch em Tóquio, do Hotel Emiliano, além de outros renomados espaços tanto no Brasil como fora dele, o diferencial de Niemeyer é a liberdade. “Seu trabalho é celebrado por ele ser um arquiteto político que teve a oportunidade de edificar quase tudo o que projetou, além de ter influenciado arquitetos da nova safra, como Zaha Hadid [arquiteta iraquiana].”
Apesar de diversos trabalhos no exterior, o arquiteto acredita que a obra mais importante de Niemeyer é a capital brasileira. “Brasília como conjunto de obras é o trabalho mais importante de Niemeyer, uma referência mundial, até porque nunca foi dado a um só arquiteto a possibilidade de se projetar sozinho tantos edifícios numa mesma Cidade. Gosto particularmente da Catedral”, sugere.
Niemeyer nunca escondeu sua preferência partidária, embora Casas não acredite que isso tenha influenciado suas obras. “Não acredito 100% na ideologia de Niemeyer, até porque ele trabalhou para todos os governos e nunca foi generoso com seus colegas de profissão”, comenta.
De acordo com Casas, Niemeyer também se inspirou em grandes nomes da arquitetura. “Todos nós nos inspiramos em algum momento no trabalho de outros e Niemeyer não é exceção. Le Corbusier foi o seu grande mestre, mas em algum momento Niemeyer rompeu com o Racionalismo ‘corbusiano’ e criou sua própria arquitetura”, detalha.
Quando perguntado se as obras de Niemeyer serviram como inspiração, revela: “Durante muitas gerações, Niemeyer foi o arquiteto que mais incentivou a prática dessa profissão. Todos nós gostaríamos de ser Niemeyer, pelo menos durante 15 minutos”.
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