São Paulo, (Brasil) 24 nov (EFE).- Frente ao turismo cultural, o curador da próxima Bienal de São Paulo, Ivo Mesquita, quis colocar uma reflexão crítica com um projeto que o levou a propor uma bienal sem obras de arte.
"Em vivo contato" é o título do programa que será exibido entre 19 de outubro e 30 de novembro de 2008, e que Mesquita desenvolveu a partir da pergunta "Qual é a missão de uma bienal no século XXI?".
Nos anos 50 e até os 70, disse o curador à Agência Efe, "a Bienal de São Paulo era a terceira do mundo, e hoje em dia são já 300 as bienais existentes".
"É necessário reconhecer um esgotamento no tema bienal, e é por isso coloco uma crítica a partir da própria bienal", disse.
O resultado de sua reflexão se traduz em uma bienal que procura dar conta da diversidade do mundo, da globalização.
"Para colocar estes diálogos, proponho um espaço vazio. Não há nada mais claro no universo em suspensão do que um espaço vazio, que o fato de falar de algo inexistente", acrescentou.
Seu projeto conta com a presença dos artistas, mas não em uma exposição tradicional, e sim em um espaço de encontros, segundo o curador. E como diz gostar de assumir riscos, Mesquita quer buscar caminhos próprios e promover uma grande discussão que seja aberta a partir de perspectivas mais teóricas.
"Ao se ver em um espaço vazio, surgirão dúvidas ao espectador acostumado a paredes cheias. Acho que é um projeto que provocará discussão e sobre o qual há muitas expectativas", disse Mesquita, acrescentando que, de acordo com os resultados, um novo modelo de bienal pode ser colocado.
Apesar das críticas que já surgiram ao projeto, o curador se mantém seguro a respeito de deixar vazio o segundo andar dos espaços projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
A planta baixa se abrirá ao exterior e proporá uma nova relação com o entorno, com os jardins e com o parque que cercam o edifício.
Neste andar também estarão todos os serviços de recepção, assim como espaços para se conectar à internet, ver vídeos ou DVDs, com mobília especialmente desenhada.
O andar superior será destinado a uma grande biblioteca com um arquivo, um auditório, salas de reuniões, leitura, conferências e lugares com conexões para acessar uma coleção de catálogo de todas as bienais do mundo. EFE mtf lg/an