Paris, 7 nov (EFE).- O cineasta Kevin Macdonald, de "O Último Rei da Escócia", decidiu voltar aos documentários com "My Enemy's Enemy" (O Inimigo dos meus Inimigos, em tradução livre), no qual retrata a figura do criminoso nazista Klaus Barbie e se centra na proteção oferecida a ele pelo serviço secreto dos Estados Unidos.
O documentário mostra o que alguns críticos chamaram de "as três vidas" de Klaus Barbie, conhecido como o "açougueiro de Lyon", já que, após a época nazista, trabalhou como espião para os Estados Unidos, país que posteriormente o ajudaria a se refugiar na Bolívia.
O diretor preferiu neste trabalho, que não fornece revelações significativas sobre sua biografia, passar rapidamente pelos anos do nazista como responsável da Gestapo em Lyon, que lhe valeram em 1987, quatro anos antes de sua morte num presídio, uma condenação na França à prisão perpétua por crimes contra a humanidade.
Por acreditar que outros estudos já trataram esse período de sua vida, McDonald se centra em como depois da Segunda Guerra Mundial Klaus Barbie foi contratado pelos serviços de contra-espionagem dos EUA (CIC), para quem trabalhou na Alemanha de 1947 a 1951, ano no qual se transferiu à Bolívia em função da ameaça de sua extradição à França, onde era procurado pela Justiça.
"A parte que mais me interessou era o mundo desesperado do pós-guerra, quando os antigos inimigos fascistas se viam transformados em aliados contra o comunismo", disse Macdonald.
Na Bolívia, Klaus Barbie não abriu mão da polêmica e passou a usar o nome Altman, o mesmo do rabino de sua cidade natal na Alemanha.
O antigo nazista comandou uma serraria em La Paz e estabeleceu relações com as redes do poder militar do país.
Apoiado pelo general Barrientos, o antigo responsável da Gestapo e antigo colaborador do serviço secreto americano, criou uma companhia marítima que serviu para traficar armas e participar da chegada ao poder na Bolívia do general Hugo Banzer, em 1971, e de Luis García Meza, em 1980.
A situação mudou dois anos mais tarde com a esquerda no Governo: Klaus Barbie foi expulso e extraditado à França, onde foi julgado em um processo histórico, no qual negou todas as acusações.
Seu único testemunho registrado neste documentário foi o de reconhecer que havia "combatido fortemente a Resistência", mas sob a justificativa de que se tratava de uma guerra. EFE ac mh