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Música barroca e cantos gregorianos se harmonizam na histórica Paraty

04/11 - 10:14 - EFE

Lorena Arroyo Paraty (Rio de Janeiro), 4 nov (EFE).- A cidade histórica de Paraty, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro, é sede neste final de semana de um evento musical que está em total harmonia com seu ambiente bucólico e colonial: o Festival de Música Antiga de Paraty.

A música barroca e o canto gregoriano tomaram as ruas repletas de pedras, as igrejas e casarões coloniais que formam a paisagem local.

Oficinas de teoria e prática de instrumentos dos séculos XVII e XVIII, concertos gratuitos e uma missa na igreja colonial de Nossa Senhora do Rosário com a presença de alunos de canto gregoriano são alguns dos atrativos do festival planejado pelo produtor cultural Pablo Castellar e pelo renomado cravista Bruno Procópio.

Desde os anos 90, dois festivais de música antiga foram realizados em Paraty, mas sem periodicidade fixa.

A iniciativa de revitalizar o festival partiu das mãos de Castellar e de Procópio, brasileiro radicado na França, que assumiu a direção artística do evento e estabeleceu uma forte conexão francesa em sua programação.

Para Castellar, o evento "tem tudo para ser um sucesso porque tem muito a ver com o perfil da cidade de Paraty, que pode receber este tipo de música de maneira muito especial devido a sua atmosfera colonial e sua força turística".

E Paraty, além de receber anualmente milhares de visitantes atraídos pela história de suas ruas e pela natureza que rodeia a cidade, também se transformou nos últimos anos em referência no mundo da literatura com sua Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Castellar reivindica a força musical do local que, "como outras cidades coloniais brasileiras, teve uma ampla produção ao longo da história, apesar de muitas coisas terem se perdido, motivo pelo qual há trabalhos muito interessantes de recuperação destas peças".

"Temos uma boa obra colonial brasileira, o que seria nossa música barroca, mas ela é mais tardia e tem influências do classicismo europeu", disse.

Desde a quinta-feira passada e até este domingo, a música erudita convive em perfeita harmonia com as igrejas barrocas, as casas de cultura e os prédios históricos das ruas de Paraty, onde turistas, músicos e os próprios habitantes da cidade se misturam.

O grupo de câmara francês Les Solistes du Palais Royal, regido por Dominique Daigemont, e o cantor lírico brasileiro Inácio de Nonno foram duas das principais atrações do evento e se apresentaram juntos na igreja de Santa Rita.

O repertório foi uma aula magistral, com virtuosas peças da música francesa do século XVIII, entre as quais se destacam composições de François Couperin e Jean Philippe Rameau.

Em outro concerto gratuito, os alunos das oficinas de violino, viola da gamba e cravo exibiram o que aprenderam durante estes cursos, enquanto os alunos de canto gregoriano mostraram suas técnicas vocais em uma missa.

No total, são cinco oficinas de violino barroco, viola da gamba, cravo e baixo contínuo, interpretação para cantores solistas, grupos vocais e cantos gregorianos, que contam com entre 9 e 20 alunos selecionados por seus conhecimentos musicais e seu interesse pelas disciplinas dos cursos.

Os 50 alunos que fazem parte dessas oficinas - em sua maioria jovens - estão dando as costas por alguns dias às paradisíacas praias, montanhas e cachoeiras de Paraty para ler as partituras pelo "amor à música e pela oportunidade de poder trabalhar com grandes professores da música barroca", disse Castellar.

"É uma oportunidade para que músicos que trabalham com instrumentos modernos conheçam os instrumentos originais do período barroco e sua técnica específica", declarou.

Além do "Les Solistes du Palais Royal", as oficinas de viola da gamba e de violino barroco contaram com a direção das musicistas Hélène Houzel e Emmanuelle Guigues. EFE lav bba/ma




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