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Doris Lessing, marcada pela África e comprometida com o universo feminino

11/10 - 11:07 - EFE

Londres, 11 out (EFE).- A vencedora Prêmio Nobel de Literatura 2007 anunciado hoje, a escritora britânica Doris Lessing, é uma pessoa comprometida com o universo feminino e marcada por sua experiência de vida na África.

A autora de "The Golden Notebook", romance que a levou à fama, pertence ao movimento de jornalistas, romancistas e dramaturgos britânicos que se rebelaram contra a sociedade em meados do século XX e confirmaram uma fértil geração literária.

As obras de ficção da autora, em boa medida autobiográfica, mostram suas raízes em lembranças da infância no continente africano e no profundo compromisso social e político.

Lessing tratou do choque de diversas culturas, das profundas injustiças da desigualdade racial, da depredação dos países africanos pelos colonizadores brancos e do conflito entre a consciência individual e o bem-estar coletivo, entre outros temas.

Em 1956, os Governos brancos da Rodésia do Sul (hoje Zimbábue) e da África do Sul do apartheid a declararam como "persona non grata".

A escritora nasceu em 22 de outubro de 1919 na cidade persa de Kermanshah (atual Irã). Lá morava seu pai, que tinha sofrido graves amputações na Primeira Guerra Mundial, onde trabalhava no Banco Imperial e era casado com uma ex-enfermeira.

Em 1924 a família se mudou para a Rodésia do Sul, então colônia britânica, e se instalou em uma fazenda. Foi lá que Doris passou a infância e a juventude. Ela foi educada em um colégio de freiras católicas e depois em um liceu feminino também em Salisbury (hoje Harare), até os 13 anos.

Sem ter nenhuma outra educação formal, mas com um apetite insaciável pela literatura, Lessing se dedicou a ler todos os livros que chegavam de Londres: autores como Dickens, W. Scott, Stevenson, D.H.Lawrence, Stendhal, Tolstoi e Dostoievski.

A futura escritora fugiu de casa aos 15 anos e trabalhou como babá de uma família que a forneceu livros de política e sociologia, que contribuíram também com sua educação autodidata.

Em 1937, de novo em Salisbury, Doris trabalhou durante um ano como telefonista. Em 1939, aos 19 anos, ela se casou com um funcionário público rodesiano do qual se separou quatro anos depois.

Da primeira união nasceram dois filhos, que ela abandonou para se unir a um clube literário de orientação comunista dirigido por Gottfried Lessing. Os dois se casaram em 1944, tiveram um filho e se separaram em 1949.

Doris e o filho caçula foram viver em Londres em 1949, quando a escritora iniciou a carreira literária que já dura quase 60 anos.

Ao chegar à capital britânica, a escritora tinha o manuscrito do seu primeiro romance, "The Grass is Singing", um texto sobre a vida na África que já refletia sua oposição à política racial.

Comprometida com o universo feminino, escreveu em 1952 a primeira obra de reflexão nesse sentido, intitulada "O Sonho de Martha Quest" e primeiro dos cinco livros da série "Os Filhos da Violência" (1951-59).

Nessa época, Doris Lessing ingressou no Partido Comunista, que abandonaria em 1956, com o início do revisionismo.

A escritora continuou sua série de livros com "A Proper Marriage" (1954), "A Ripple from the Storm" (1958), "Landlocked" (1965) e "The Four-Gated City" (1969).

Anteriormente Lessing publicou "The Golden Notebook" (1962), um dos seus romances mais complexos, agraciado com o Prêmio Médicis de melhor romance estrangeiro e considerada uma obra fundamental da literatura em língua inglesa dos anos 1960 e 1970.

A escritora fez livros como "A Man and Two Women" (1963), "In Pursuit of the English" (1965), "Briefing for a Descent into Hell" (1971), "O Último Verão de Mrs. Brown" (1974), "The Habit of Loving" (1983), "African Stories" (1984), "Shikasta" (1986), "The Diary of a Good Neighbour" (1987), "The Good Terrorist" (1987), "If the Old Could" (1988, assinada com o pseudônimo de Jane Somers) e "O Quinto Filho" (1989).

Cabe citar também as obras "Mara and Dann" (1999), "African Laughter" (2001), "The Wind Blows Away Our Words" (2002) e "O Sonho Mais Doce" (2002).

Fora do gênero novelístico, publicou sua autobiografia, formada por "Debaixo da Minha Pele" (1994) e "Andando na Sombra" (1997), ambas lançadas no Brasil.

Lessing escreveu vários trabalhos sobre gatos - uma de suas grandes paixões -, obras teatrais, e em 1997 colaborou pela segunda vez com o compositor americano Phillip Glass para escrever a opereta "The Marriages Between Zones Three, Four, and Five".

Em 2001, a britânica participou do Projeto Bíblia, da editora alemã Fischer, no qual uma série de comentaristas oferecia visões singulares da Bíblia.

Desde 1974, Doris Lessing faz parte da Academia Americana de Artes e Letras, do Instituto Nacional de Artes e Letras dos Estados Unidos, e do Instituto de para a Pesquisa Cultural.

A longa trajetória literária de Lessing foi recompensada com o Prêmio Somerset Maugham (1964), o Prêmio de Literatura Européia do Estado Austríaco (1981), o Shakespeare da Fundação FVS de Hamburgo, o Prêmio Internacional da Catalunha (1999), o David Cohen de Literatura (2001) e o Príncipe de Astúrias das Letras (2001). EFE doc pp/pa




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