09/10 - 11:42 - Renata Castro, do Último Segundo
RIO DE JANEIRO – Os cariocas vão demorar mais para ver as fotos sensuais de Marylin Monroe, estrela de Hollywood dos anos 50. O início da exposição “Marylin Monroe – o mito”, que aconteceria nesta terça-feira no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, foi adiado, pois as peças ficaram retidas na alfândega do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo o curador da exposição, Geraldo Jordão Pereira, o fiscal afirmou que as fotos “não eram obra-de-arte”.
A exposição mostra fotos clicadas pelo renomado fotógrafo americano Bert Stern no tradicional hotel Bel Air de Los Angeles, em 1962, apenas seis semanas antes da morte da atriz. Nelas, Marilyn aparece coberta apenas com lenços de seda.
Com a retenção das peças na alfândega, a abertura da exposição teve de ser adiada. De acordo com Pereira, a curadoria entrará com um mandado de segurança na tarde de hoje, para pedir a liberação das obras e inaugurar a exposição na próxima quinta-feira, 11 de outubro.
O curador lamentou o fato: “é tão absurdo e fora de propósito, que não sei bem o que pensar sobre isso. As fotos já passaram por museus em Nova York e Paris, mas o fiscal declarou que ‘aquilo não era obra-de-arte’. Não posso entender essa posição intransigente”.
Segundo Pereira, as fotos simbolizam o mito da atriz americana, que traduz o cinema de Hollywood. “Só pode ser uma questão pessoal. O material não é pornográfico de maneira nenhuma. São fotos classe, nem mesmo de conteúdo erótico. São imagens singelas, sensuais, que traduzem o hino, o símbolo que foi a Marilyn, afirmou”.
Parte da receita da mostra será revertida para o Instituto Rio, que administra o fundo Vera Pacheco Jordão, primeiro fundo comunitário do país, em mais de 60 projetos sociais.
Depois de passar pelo Rio, a mostra será inaugurada em São Paulo, no dia 25 de janeiro, com curadoria de Diógenes Moura da Pinacoteca de SP. “Espero que a exposição seja um sucesso muito grande. As pessoas irão ver, pelo fato de que a Marilyn era uma diva. Os cariocas e os paulistas poderão apreciar a beleza dessas fotos”, declarou Pereira.
O mito
A exposição é baseada no livro “Marylin Monroe – O mito”, publicado pela Editora Sextante, que reúne 62 fotos do acervo do consagrado fotógrafo americano Bert Stern. As fotos foram tiradas por Stern apenas seis semanas antes da morte da atriz, aos 36 anos, em agosto de 1962.
Em 2006, as fotos passaram pelo Museu Maillol, em Paris. Segundo o presidente da Sextante e curador da exposição, Geraldo Jordão Pereira, foi então que ele ficou “impressionado com o impacto da mostra” e decidiu trazê-la para o Brasil.
Stern fotografou Marilyn em uma fase mais madura e misteriosa. Em cada foto, a deusa do cinema americano mostra sensualidade e sofisticação.
Em uma das imagens é possível ver pela primeira vez as sardas e uma cicatriz horizontal no abdômen da atriz, resultado de uma operação na vesícula.
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