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Paulo Coelho quer que internautas ajudem a adaptar livro para o cinema

13/09 - 12:38 - EFE

Mateo Sancho Cardiel Redação Central, 13 set (EFE).- Suas habilidades literárias não agradam a todos os críticos, mas o escritor Paulo Coelho confirma suas qualidades de grande guru das massas ao promover um concurso em seu blog que permitirá que os internautas ajudem a adaptar seu último livro, "A Bruxa de Portobello", às telas do cinema.

"Quando um leitor lê um livro, um filme passa pela sua cabeça. Há anos me pergunto por que eles não podem fazer um filme e acho que, com a tecnologia que temos agora, hoje isto é possível", disse o mago em entrevista concedida por telefone à Efe de Paris.

Os 15 participantes que vencerem o concurso convocado no blog, escolhidos em um universo de cerca de 3 mil candidatos, filmarão com suas câmeras 15 curtas-metragens independentes.

A intenção é levar ao cinema a tradução fiel da visão dos 15 narradores com os quais o escritor constrói a jovem cigana Athena, protagonista de "A Bruxa de Portobello".

"Foi uma idéia não muito pensada, mas quando coloquei o 'post' no meu blog, obtive em seguida 50 respostas que me animaram a colocá-la em prática". Hoje, sem ter promovido ainda o projeto, 800 pessoas já fizeram a pré-inscrição para adaptar um fragmento do futuro filme.

Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro em 1947. Suas obras foram traduzidas para 66 línguas e vendidas em cerca de 150 países.

O autor acredita que "A Bruxa de Portobello" é um romance "perfeito para realizar um trabalho coletivo" e contratará "um produtor americano renomado para fazer a montagem", de forma a conferir homogeneidade ao filme.

"Athena, a heroína, acabará sendo revivida por diversas atrizes.

Ela poderá ser negra na visão de um dos personagens/diretores e loira na de outro. Esta variedade reflete a proposta do livro, no qual a mesma história é contada sob múltiplos olhares", disse o autor de "O Diário de um Mago".

Paulo Coelho antecipa que o filme "estreará em novembro de 2008 no Festival de Cinema de Dubai" (Emirados Árabes Unidos) e que se "desliga" de todo o processo de criação, pois tem "uma relação muito pessoal com o livro".

"Prefiro ficar com a satisfação pessoal de que, até agora e sem promoção, muitas pessoas já se inscreveram e que, além disso, os curtas que vi até agora têm muito potencial", ressaltou.

Segundo o escritor, com o concurso - que se encerra no dia 19 de março de 2008 e concederá € 3 mil aos vencedores - ele pôde "comprovar que o leitor descobre interpretações no livro que nem sequer eu tinha percebido".

Os curtas apresentados - no máximo 200 por cada narrador - podem ser filmados em português, espanhol, francês ou inglês, e serão revisados por quatro júris independentes, cujos membros ainda não foram escolhidos, mas que devem ser leitores, cineastas, músicos e técnicos.

"A Bruxa de Portobello" começou a fazer sucesso na internet, pela qual foi publicado por capítulos antes de ser impresso, e Paulo Coelho continua apostando nos recursos mais populares da rede para levar a obra para o cinema.

Desta forma, os participantes submeterão suas propostas via YouTube, enquanto a disputa pela música principal da trilha sonora do filme - e pelos € 1.500 que serão dados ao vencedor - terá como palco o MySpace, no qual a cota máxima para inscrição já foi atingida.

Paulo Coelho, que adora viajar pelo mundo, descobriu na internet um tipo de espaço diáfano para sua inquietação cultural, e traduziu seu site para 14 idiomas.

"Meu melhor momento do dia chega quando, após fazer todos os trabalhos do dia, posso me conectar à internet para conversar e interagir com os leitores", admite.

O autor sempre teve bastante receio de compartilhar suas obras com os roteiristas de cinema e da televisão.

Os textos do escritor até hoje só tiveram duas adaptações para as telas: a versão japonesa "Veronika wa shinu koto ni shita" (2005), baseada no romance "Veronika Decide Morrer", e a novela "Brida" (1998), transmitida pela extinta "TV Manchete".

Desde que, em 2003, foram vendidos os direitos para adaptação ao cinema de "O Alquimista", o escritor decidiu vetar a comercialização dos direitos de seus romances, já que as versões criadas eram "horríveis", de acordo com o escritor, e a filmagem nunca chegou a ser realizada.

Por isso, com o projeto de adaptação de "A Bruxa de Portobello", optou por uma forma "barata, mas profissional e elegante", na qual existe "uma oportunidade especial para explorar a tecnologia para fazer arte". EFE msc db/pa




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