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Cópias pirata de “Tropa de Elite” já podem ser encontradas em todo o país

11/09 - 18:09 - Redação

O filme “Tropa de Elite”, dirigido por José Padilha, não só abriu precedentes como primeiro audiovisual produzido no Brasil a chegar ao mercado informal antes de ser exibido nos cinemas, como também ilustra a rapidez e poder da pirataria em território nacional. Antes disponível apenas no Rio de Janeiro, o DVD do filme pode agora ser facilmente encontrado em camelôs de todo o país, do Norte, em Manaus, passando pelo Nordeste, em Salvador, e chegando ao Sul, em Porto Alegre.

Como ainda não há material gráfico nem pôster conhecido do filme, as capas dos DVDs são variadas – trazem desde o nome provisório, “BOPE”, adotado durante as filmagens, até logotipos amadores criados pela indústria pirata. Na capital da Bahia, por exemplo, o escolhido para chamar a atenção dos possíveis compradores foi o ator global Wagner Moura, natural de Salvador, um dos protagonistas.

A cópia

Em São Paulo, onde as cópias podem ser compradas sem dificuldade no centro da cidade ou em pequenas lojas de eletrônicos da avenida Paulista, a peça gráfica tenta ser mais elaborada, apesar da péssima qualidade de impressão. Uma foto do Cristo Redentor ao fundo é sobreposta pela imagem de um atirador de elite em roupas negras, mesma cor dos uniformes que os oficiais cariocas utilizam no filme. No topo, uma frase entre aspas – “Polêmico, assustador e perfeito...” – tenta imitar uma prática comum de divulgação, que reproduz frases positivas utilizadas pela imprensa.

A cópia do filme, à primeira vista, parece completa (a não ser por pequenos desajustes no som e pela ausência de créditos finais) e aparentemente é voltada para o público internacional, já que o título (“Police Squad”), créditos iniciais e letreiros são escritos em inglês. Isso fortalece a teoria de que o filme foi copiado por funcionários da empresa contratada para fazer as legendas do longa-metragem.

Internet

Também colabora para a velocidade de propagação o vazamento de “Tropa de Elite” para a Internet. A mesma cópia encontrada nos camelôs está disponível nos sites de compartilhamento de arquivos, inclusive numa versão pronta para ser gravada e reproduzida em aparelhos de DVD. Além disso, sites que oferecem legendas para download prometem para breve os diálogos em inglês do filme, para que estrangeiros – que já demonstram interesse pela obra em grupos de discussão – também possam assisti-lo.

A marginalidade no Rio de Janeiro já foi retratada com alarde pelo bem-sucedido “Cidade de Deus”, por isso espectadores fora do Brasil apresentam agora maior predisposição a filmes de ação com a mesma temática. Impactante retrato do trabalho do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da PM do Rio, “Tropa de Elite” mostra o dia-a-dia da corporação nos morros cariocas e suas estratégias para combater o tráfico. Como o filme é rico em cenas com práticas violentas e de corrupção da força policial, integrantes do BOPE entraram na Justiça contra a Zazen Produções e a Paramount Pictures (esta última responsável pela distribuição) para vetar sua exibição e, conseqüentemente, evitar danos à imagem do órgão.

Alta procura

A recepção e debate em torno do filme tem crescido tanto que só no site de relacionamentos Orkut existem mais de dez comunidades para discuti-lo, com cerca de 70 mil assinantes no total. Tanta agitação trouxe à tona até boatos de uma continuação, estimulados pelos vendedores de DVDs. Os rumores impulsionaram o surgimento de uma suposta “Parte 2” nos camelôs, que, na prática, são os documentários “Ônibus 174”, filme anterior de José Padilha, que mostrava a mediação do BOPE no famoso seqüestro do coletivo no Rio; e “Notícias de Uma Guerra Particular”, de João Moreira Salles e Kátia Lund.

Anteriormente prevista para novembro, a estréia de “Tropa de Elite” foi adiantada para o feriado de 12 de outubro e tem distribuição internacional a cargo da Weinstein Co., nova companhia dos antigos proprietários da Miramax. A cópia final será exibida pela primeira vez na noite de abertura do Festival de Cinema do Rio, no dia 20 de setembro. A versão pirata, segundo os produtores, é o segundo corte, enquanto a final já é o décimo sexto. A Polícia Civil carioca continua investigando o vazamento do filme.





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