iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Veneza: Cao Guimarães revela seus gostos e discute o cinema de imagem e detalhes

05/09 - 14:58 - Agência Ansa

VENEZA, 5 SET (ANSA), por Ernesto Perez - O cineasta e artista plástico brasileiro Cao Guimarães, que apresentou o filme "Andarilho" na seção paralela "Horizontes" da 64ª Mostra de Veneza, afirmou que toda a sua maneira de fazer cinema "nasce da casualidade", e sua última produção enviada à Itália não é uma exceção.

O filme, projetado na última terça-feira, segue três andarilhos que passam a vida perambulando por ruas e estradas, divagando ou falando sem um interlocutor. "Um deles - explica o diretor - é um sulista de origem protestante que tem contas pendentes com Deus e vive sem vínculos entre o céu e a terra. O outro é um ancião baiano que fala sozinho, e o terceiro é um negro de Minas Gerais que leva sua casa nas costas, como se fosse um caracol".

Cao diz ter preferido concentrar-se em um número reduzido de pessoas para produzir sua obra - os três personagens de "Andarilho" -, porque acredita ser impossível retratar todo Brasil em um só filme, dada sua "dimensão continental, onde convivem e se enfrentam uma enorme variedade de etnias e culturas".

O cineasta afirma que se interessa por filmar os detalhes, como o da lagosta que cruza a pista de uma estrada, e que gosta de filmes em que nada acontece, "onde uma folha que cai tem a beleza da voz de uma soprano que canta uma ária de ópera". Ao comentar o ritmo de "Andarilho", Cao diz que o tempo é subjetivo e cada um se conecta de maneira pessoal e distinta, com o tempo e a realidade que o circunda. "Sei que as pessoas se irritam quando não acontece nada, quando não há tiros, nem beijos, nem bombas, mas são esses os meus filmes preferidos", conclui.

O produtor Beto Magalhães reconhece que não é fácil financiar um filme como o de Guimarães, mas acredita que sua missão como produtor é dar liberdade total e tranqüilidade absoluta ao diretor, para que ele possa fazer seu trabalho. "Também não é fácil, uma vez terminado o filme, conseguir levar as pessoas ao cinema. Cerca de 85% das salas no Brasil estão ocupadas por produções norte-americanas, e a conquista destes 15% é já um triunfo. Receber um convite por parte de um festival tão importante como o de Veneza é um bom passaporte para o filme", explica Beto Magalhães.

A outra produtora, Aline Xavier, afirma que existe mercado para obras cinematográficas como essa. "Por exemplo, antes de vir a Veneza, 'Andarilho' foi projetado na Bienal de Arte de São Paulo, e este é o tipo de mercado justo para filmes de grande impacto visual como o de Cao Guimarães".

"Eu gosto de caminhar pelas ruas, porque me ajuda a pensar, mas imagine o quanto pode divagar um homem que caminha todos os dias para cima e para baixo", brinca o diretor Cao. "Na realidade, eu deveria ter colocado um personagem a mais: os caminhões que passam rápido pelas estradas, simbolizado o capitalismo e a riqueza de uma sociedade que deixou os três [andarilhos] de lado, porque são gente sem futuro nem posição social, que vivem à deriva". (ANSA)





US Multimídia


Publicidade


Enquete