17/08 - 16:13, atualizada às 18:05 17/08 - Bruno B Soraggi, repórter do Último Segundo
SÃO PAULO – “Pessoal, o filme dos Simpsons estréia na semana que vem. Topam fazer um material especial?”. Claro que sim! “Soraggi, então... a sua função será entrevistar o Homer Simpson, tudo bem?” Bem?! Em toda a minha carreira jornalística – que não chega a ser tão extensa quanto a de jornalistas como Alberto Dines e Mino Carta – nunca tive a oportunidade de entrevistar ninguém tão notável e influente quanto o Sr. Homer Simpson. Creio que nem eles. Senadores, deputados, empresários... Ninguém, nem em modéstia megalomaníaca, chega aos pés do pai de família mais amarelo – mas não anêmico – do mundo.
(a qualidade do som não é das melhores pois a telefonia de Springfield ainda não é das mais modernas. Lá investe-se tudo em energia nuclear)
Mas por onde começar? Como um fã nem tão aficionado, recorri a amigos que, em matéria de Simpsons, são mais “in” do que eu. “Mas qual dublador você quer? O antigo, dos desenhos, ou o novo, do filme?”, questionou um deles no mesmo tom que um PhD em Física Nuclear Atômica questiona um aluno recém-introduzido às leis da inércia.
Em um primeiro momento fiquei desolado por saber que a voz do Homer no longa-metragem fosse diferente da que eu já havia me acostumado após anos de “Dãp!” e “Hmmm, rosquinhas!” na TV. Sem preconceitos, porém, resolvi aceitar que, para ser um Homer, você deve ter algo de Homer, e decidi entrevistar ambos.
Ao contrário do que muitos fãs da série afirmam – e é neste parágrafo que alguns de vocês passarão a me odiar – a nova voz do pai de Bart e Lisa combina com o personagem. Se é pior ou melhor, não cabe a mim apenas julgar. O estranhamento é causado mais pela falta de costume do que pela qualidade do dublador. É claro que Waldyr Santanna, a voz de Homer por cerca de 15 anos, foi responsável por dar forma e personalidade ao amarelão. Carlos Alberto Vasconcellos da Silva, dublador desde 1985 e o corajoso detentor da tarefa de fazer a voz de Homer Simpson no longa, não nega isso.
“Eu sou superfã do Waldyr. A primeira vez que trocaram a voz dele, eu senti muito. O Santanna descobriu o caminho dele”, declarou Vasconcellos, que também declarou ser um fã da série desde 1991. “Em casa eu tenho um quarto com toda a família Simpson em pelúcia. Ah, e também tenho o Milhouse [amigo de Bart]”, completou. Esse fascínio pelo clã, segundo ele, fez de Homer Simpson o personagem de maior projeção de toda a sua carreira como dublador. Ele também já trabalhou em rádio e foi apresentador do canal Sportv.
“Quando eu fiz o teste, a escolha foi feita pela própria Fox dos Estados Unidos. Me escolheram pois, segundo eles, eu tinha a voz mais próxima do Dan Castellaneta [dublador do personagem nos EUA]”, conta Vasconcellos. “Nos testes eu me baseei no que eu sentia que o Homer devia ser”, disse. “Quando recebi a informação de que havia sido escolhido, eu nem cabia em mim de tanta felicidade”, completou.
Santanna, por sua vez, deixou a série em razão de desentendimentos com a Fox sobre pagamento e uso de sua voz nos DVD da série. Razões trabalhistas à parte, ele, que dublou o personagem por cerca de 15 anos, se diz muito emocionado com o carinho dos fãs. “Eu sou muito grato pelo carinho dos fãs e solidariedade com a minha saída. Acho apenas que fui injustiçado por ter cobrado coisas que a nossa legislação garante”, afirmou. “Cabe a vocês, jovens e fãs da série, se manifestarem caso não concordem com o que foi feito”, completou. O filme estréia nesta sexta.
A escolha do seu Homer favorito, porém, cabe a você. Bom divertimento. A entrevista em podcast - no alto da matéria - foi feita na voz de Waldyr Santanna.
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