Emilia Pérez Londres, 26 jun (EFE).- Visitar o museu Victoria & Albert (V&A) de Londres garante sempre boas surpresas, já que a instituição, que completa esta semana 150 anos, abriga desde o tapete mais antigo do mundo até pinturas de Rafael, esculturas de Rodin e uma reprodução do Pórtico da Glória.
Fundado em 1857 com recursos procedentes da Grande Exposição de 1851, o museu, um dos mais importantes do mundo a aliar arte e design, reúne inúmeros artefatos de todas as culturas e de todas as épocas, da pré-história até os dias de hoje.
Conhecido principalmente por suas coleções de artes aplicadas, poucos sabem que o V&A também abriga 17,5 mil esculturas e 10,5 mil pinturas, número que supera, por exemplo, o acervo da National Gallery, também na capital britânica.
Esculturas como as "As Três Graças", de Antonio Canova (1757-1822), e várias peças de Rodin (1840-1917) enviadas temporariamente ao museu no estopim da I Guerra Mundial - mas que quais depois foram doadas pelo artista em reconhecimento à colaboração britânica aos franceses - fazem parte do acervo do V&A.
O museu também conserva obras pictóricas, como os famosos painéis de Rafael, realizados pelo artista renascentista italiano (1483-1520) para uma série de tapeçarias atualmente penduradas na Capela Sistina, no Vaticano.
Durante a II Guerra Mundial, o museu foi bombardeado repetidamente e, apesar de a maior parte da coleção ter sido transferida para lugares seguros, alguns objetos, como as obras de Rafael, eram grandes demais para serem transportados, de modo que foi improvisodo um abrigo para essas peças.
Outro destaque do V&A são suas coleções de peças têxteis, com panos de linho egípcios datados de 3150 a.C, e de móveis, que inclui um armário vitoriano desenhado por Thomas Hopper e que já pertenceu ao vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger.
O Victoria & Albert foi, além disso, o primeiro museu do mundo a apresentar fotos como obra de arte. Entre elas, destacam-se, por sua antiguidade, um daguerreótipo de 1839 que mostra a paisagem da praça de Trafalgar antes de coluna de Nelson ter sido construída.
Entre as salas que mais chamam a atenção dos visitantes estão as que abrigam reproduções de monumentos célebres, como a coluna de Trajano, cuja altura de 35,6 metros obrigou a divisão da obra ao meio.
No entanto, também há réplicas tridimensionais do David de Michelângelo, o púlpito da catedral de Pisa, de Giovanni Pisano, e o Pórtico da Glória, da catedral espanhola de Santiago de Compostela.
As galerias destinadas à China abrigam 16 mil objetos, do quarto milênio a.C. até a atualidade, incluindo um conjunto de esculturas budistas de madeira revestidas em ouro do ano 1200 e um espetacular trono imperial da dinastia Qing, que data do final do século XVIII.
No museu é possível encontrar praticamente qualquer exemplo do que a imaginação humana foi capaz de criar ao longo da história e em todas as partes do mundo.
Como o Tigre de Tippoo, um animal mecânico fabricado para o Sultão de Misora no final do século XVIII; o manuscrito de "Oliver Twist", de Charles Dickens; um tapete confeccionado no Irã em 1539; ou a cama mais famosa do Reino Unido, que mede 3,3 metros de comprimento por 3 de largura e é, até mesmo, citada em uma obra de Shakespeare.
O V&A fazia parte do projeto do príncipe Albert, marido da rainha Victória, de criar um bairro cultural nos limites do sudeste da capital britânica, o qual também compreendia o Museu de História Natural, o auditório Albert Hall e o Imperial College de Ciência.
Agora, por ocasião de seu 150º aniversário, designers, arquitetos, fotógrafos e artistas transcreveram em um álbum comemorativo suas opiniões sobre o museu.
O arquiteto britânico Norman Foster o qualifica como "o museu perfeito, um tesouro magnífico, rico tanto em artefatos e idéias".
"Que melhor lugar do que este para buscar inspiração ou simplesmente passar a tarde?", se pergunta Foster, enquanto seu companheiro de profissão e compatriota Richard Rogers o define o centro como "um brilhante armazém cheio de ícones do design". EFE ep lb/sc