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Escritores falam sobre barreiras entre o Brasil e o mundo hispano-americano

21/06 - 15:46 - EFE

Waldheim García Montoya São Paulo, 21 jun (EFE).- Os escritores brasileiros Nélida Piñon, ganhadora do Prêmio Príncipe de Astúrias, e Eric Nepomuceno, disseram em entrevista à agência Efe que as barreiras culturais e de idioma entre o Brasil e o mundo hispano-americano diminuíram impulsionadas pela indústria editorial.

Piñón e Nepomuceno - que visitaram São Paulo para participar da apresentação no Brasil da edição comemorativa do livro "Cem anos de solidão", do colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura em 1982 - destacaram que o esforço conjunto de escritores, editores e tradutores favoreceu a literatura latino-americana.

Os escritores falaram que a cada dia se vêem mais obras traduzidas do português e do espanhol nos países da região e que aumentou o reconhecimento a obras literárias latino-americanas com prêmios de relevância mundial.

Nepomuceno disse, no entanto, que para um avanço maior é necessário promover a integração cultural ao lado da integração comercial, enquanto Piñón reconheceu que ainda são necessários mais esforços para uma integração literária plena.

Piñón, que recebeu em 2005 Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras, e em 1995 do Juan Rulfo, acrescentou que "é muito difícil para os hispano-americanos ler um livro em português, e acho que a literatura brasileira não é muito conhecida na Espanha. É um problema que estamos combatendo".

"A arte tem como destino a aproximação humana, sem barreiras, porque é um milagre. Quando você inventa um personagem ele fala pela ilusão de todos, toca fundo nas pessoas. Mas ainda estamos longe de uma situação de integração esplêndida, temos que acelerar essa proximidade", declarou Piñón.

A escritora ressaltou que "a cada dia estamos abrindo portas" para a integração literária do Brasil com o mundo hispano-americano.

"É um esforço coletivo e individual e sempre temos a esperança que no futuro isto se fortaleça e, embora vá demorar um tempo, não quer dizer que este processo esteja parado", acrescentou.

A autora de "Sala de armas" (1973), "Tebas do meu coração" (1974), "A força do destino" (1977) e "A república dos sonhos" (1984), entre outros romances, destacou, além disso, a obra literária do escritor, jornalista e poeta brasileiro Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908).

"É um autor que seria uma revelação para outros escritores e para todo o público hispano-americano, porque é excepcional, um dos grandes escritores das Américas, emblemático, que ainda é pouco conhecido", acrescentou Piñón, primeira mulher a presidir uma academia de letras no mundo, a brasileira em 1996.

Nepomuceno - tradutor para o português das principais obras de autores hispano-americanas, como "Pedro Páramo", do mexicano Juan Rulfo, e "Cem anos de solidão", de García Márquez - comentou que "ainda é preciso trabalhar para lutar contra as barreiras, mas as coisas melhoraram muito, um pouco da barreira se desgastou".

"É uma barreira idiota imposta por mecanismos que nos isolam um dos outros. O idioma é uma barreira menor e tenho certeza que se os Governos continuarem falando de integração comercial, sem levar em conta o cultural, vai a ser muito mais difícil conseguir isso", disse.

A tradução de obras hispano-americanas para o português e vice-versa, detalhou Nepomuceno, "contribuiu muito na difusão dos trabalhos de grandes escritores. Existe uma evolução editorial nesse sentido".

Editoras, como a espanhola Santillana, e instituições, como o Instituto Cervantes, promovem no Brasil a difusão da arte e da literatura hispano-americana mediante exposições e outras manifestações culturais.

Sobre seu atual trabalho, de tradução para o português da edição comemorativa de "Cem anos de solidão", que foi revisada pelo próprio autor colombiano, Nepomuceno assinalou: "a idéia é fazer uma nova tradução baseada nas revisões do próprio 'Gabo'. É um livro eterno, mas os eternos têm novos brotos de juventude".

"Estamos pensando em uma nova geração de leitores que conhecerá a obra e tenho certeza que a edição em português será tão bem-sucedida como foi a do espanhol em muitos países da América Latina", disse.

EFE wgm ma




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