Washington, 25 mai (EFE).- O ator americano Paul Newman anunciou hoje que se retira do cinema, já que não pode mais trabalhar no nível que gostaria, segundo informou a rede americana "ABC".
Em declarações à "ABC", Newman, de 82 anos, disse que na sua idade já se "começa a perder memória, confiança e inventividade", e por isso o cinema é "um capítulo praticamente fechado" de sua vida.
"Atuei durante 50 anos. Já basta", disse Newman.
Ele explicou que agora se concentrará em seus negócios, dirigindo o restaurante de comida ecológica que possui perto de sua casa em Westport (Connecticut), o Dressing Room. Além disso, o ator cedeu seu nome a uma linha de molhos e de pipocas.
Paul Newman também continuará promovendo ações beneficentes.
O último filme em que ele apareceu foi "Estrada para a perdição", em 2002, ao lado de Jude Law e Tom Hanks, sob direção de Sam Mendes.
Em 2006, fez a voz de Doc Hudson, personagem do desenho animado "Carros", dos estúdios Pixar.
O ator, diretor, roteirista e produtor americano, é um dos galãs mais famosos de Hollywood e o mais sedutor da tela nos anos 70.
Paul Leonard Newman nasceu em 26 de janeiro de 1925, em Cleveland (Ohio). Seu pai era judeu-alemão de origem, e a mãe, uma católica com raízes húngaras.
Após os estudos elementares na Malven Grammar School e na Shaker Heights School, entrou em 1942 para o Kenyon College e, no ano seguinte, se alistou na Marinha. Cumpriu o serviço militar como rádio-artilheiro nas bases de Okinawa e Guam, entre 1943 e 1945.
Após a Segunda Guerra Mundial, voltou para Kenyon, onde se graduou em Ciências Econômicas e fez parte do time de futebol americano.
No entanto, preferiu o teatro e entrou para uma companhia de teatro de Illinois, a Woodstock Players. Lá conheceu a sua primeira mulher, Jacky Witte, mãe de seus filhos Scott, Susan e Stéphanie, de quem se divorciou em 1958, após nove anos de casamento.
Foi aluno da Escola de Arte Dramática de Yale e do Actor's Studio de Nova York. Em 1953 estreou na Broadway com a obra de William Inge "Picnic", que permaneceu 14 meses em cartaz.
Em 1954 estreou no cinema atuando em "O cálice sagrado", de Victor Saville. No entanto, seu primeiro sucesso veio com o filme "Marcado pela sarjeta" (1956), na pele do boxeador Rocky Graziano.
A partir de então, sua fama começou a crescer rapidamente, e não só como ator. Newman foi para trás das câmeras para rodar o curta "On the harmfulness of tobacco" (1961) e seis longas-metragens: "Rachel, Rachel" (1968), "Uma lição para não esquecer" (1971), "O preço da solidão" (1972), "Caixa de sombras" (1980), "Meu pai, eterno amigo" (1984), feito em memória de seu filho Scott, que morreu de overdose em 1978, aos 28 anos, e "Algemas de cristal" (1987).
Foi um dos atores mais indicados ao Oscar, mas só ganhou três: um especial, em 1985, pelo conjunto de sua carreira; o de Melhor Ator de 1986, por "A cor do dinheiro"; e o Prêmio Humanitário Jean Hersholt, em 1994.
Também foi indicado por "Gata em teto de zinco quente" (1958), "Desafio à corrupção" (1961), "Doce pássaro da juventude" (1962), "O indomado" (1963), "Rebeldia indomável" (1967), "Rachel, Rachel" (1968), "O Veredicto" (1982) e "Na roda da fortuna" (1994).
A atuação em "Caminho para a perdição" (2002) valeu uma candidatura ao Oscar ao melhor ator coadjuvante.
Em memória de seu filho, criou ainda a Fundação Scott Newman, destinada a auxiliar e proteger vítimas da droga. Pertenceu também à Aliança para a Defesa do Meio Ambiente e, em 1978, representou os Estados Unidos na ONU, na Conferência para o desarmamento.
Em 1990 foi nomeado "pai do ano" pelo Unicef e indicado pelo congressista democrata Benjamin de Zino como candidato a governador de Connecticut.
Em 1958 se casou em Las Vegas com a atriz Joanne Woodward, sua atual mulher, com quem teve três filhos: Eleanor, Melissa e Claire.
EFE co mf