13/04 - 12:05 - Agência Estado

Muito previsível; nada surpreendente. Uma enxurrada de hits, entre baladas românticas, dos anos 90, e pegadas mais hard rock, que o consagraram na década de 70, conduziram o show da banda norte-americana Aerosmith.
Cerca de 60 mil pessoas estiveram na noite de ontem no estádio do Morumbi, em São Paulo, para conferir a turnê "Route of All Evil", baseado na coletânea "Devil's Got a New Disguise". De adolescentes que pouco conhecem a história da banda, alguns acompanhados dos pais, a roqueiros típicos, de coturno e cabeleira, o que se viu no estádio foi uma profusão de tribos.
Após um show correto - e pesado -, de pouco mais de uma hora, da banda Velvet Revolver, formada por ex-integrantes do Guns´n Roses, o vocalista Steven Tyler e seus demais companheiros entraram as 22h50 para levantar o público que os aguardavam. Eles abriram bem com "Love in an Elevator", já ganhando a simpatia do público, e mantiveram o tom com as seguintes, "Toys in The Attic" e "Dude (Look like a lady)".
Mas foi na música seguinte que a banda realmente ouviu o coro do público, com a balada "Cryin". Como de praxe, isqueiros e celulares tomaram conta do estádio. Outras mais românticas, como a setentista "Dream On", "Janie´s Gotta a Gun" e "I Dont Want to Miss a Thing" também foram bem recebidas pelos corações de supostos roqueiros apaixonados.
O palco foi, ainda, local de canções mais pesadas, que os transformaram em ícone do hard rock americano, como "Rag Doll", "What it Takes" e "Livin´ On the Edge". Era o cenário e o ritmo perfeito para o bocão de Steven Tyler gritar, andar e rebolar pelo palco. Sempre com microfone e o pedestal em punhos, o quase sexagenário vocalista tinha o pique - e o rosto esticado - de um garotão. Tyler também mandou "Jaded", sucesso mais recente da banda.
O guitarrista Joe Perry mostrou a força da sua guitarra em momentos pontuais, especialmente no final da primeira parte do show, em "Draw The Line". Arrancou a camisa, "chicoteou" o instrumento e levou a platéia ao delírio. Perry foi estrela, ainda, em "Stop Messin Around", quando mostrou também sua faceta vocal.
Encerrada a primeira parte, após um pequeno intervalo, o Aerosmith voltou ao palco. E mandaram uma das músicas mais famosas da carreira da banda, "Walk This Way". Aí sim, - apesar de um bis com apenas uma canção -, um bom ponto final para o espetáculo, mostrando, por durante 1 hora e 40 minutos de show, uma história de quase 40 anos.
O volume do som no estádio foi algo bastante criticado por muitos que estiveram na platéia. A acústica do local, afinal, também é inexistente. O show também não estava lotado, apenas pista e alguns setores da arquibancada contrastavam com alguns locais bem vazios. Por fim, não foi um show pirotécnico, de grandes efeitos, como se viu recentemente no mesmo estádio, com Roger Waters. Apenas muita luz, pouco cenário e grandes hits.
O público saiu sentindo falta de sucessos, como "Crazy" e "Pink". Mas já era tarde. Talvez numa próxima turnê.
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