Cairo - O Governo do Egito apresentou hoje publicamente as mechas do cabelo de Ramsés II, repatriadas na semana passada, e anunciou uma campanha para recuperar as peças arqueológicas que permanecem "ilegalmente" fora do país, informou o ministro da Cultura egípcio, Farouk Hosny.
O ministro fez este anúncio durante a entrevista coletiva realizada no Museu Egípcio para mostrar as mechas de Ramsés, que estavam há 30 anos na França.
Hosny assegurou que, apesar de se tratar de "algo tão simples como uma mecha de cabelo, tem muito valor porque pertenceu a Ramsés II". O ministro acrescentou que "nem sequer uma mecha do cabelo deve estar fora do Egito" sem o consentimento do país.
A polêmica do cabelo de Ramsés começou em novembro, quando Jean-Michel Diebolt, um carteiro francês de 50 anos, colocou à venda as mechas do faraó na internet.
Diebolt conseguiu as mechas dos cabelos de Ramsés II através de seu pai, que fez parte da equipe de investigadores que estudou a múmia do faraó em 1976, quando foi levada do museu do Cairo à França.
Após o escândalo gerado pela tentativa de venda pela internet, uma missão de arqueólogos egípcios viajou à França e retornou ao Cairo na semana passada com as mechas do faraó.
O diretor do Conselho Supremo de Antiguidades egípcio, Zahi Hawas, afirmou que outra das peças que as autoridades egípcias estão tentando recuperar atualmente é a estatueta de um rei de 30 centímetros de altura conservada em um museu de Barcelona, embora não tenha dado detalhes.
Esta não é a primeira vez que o Egito declara sua intenção de recuperar o patrimônio cultural que está fora do país. Hawas já expressou em outras ocasiões o interesse em recuperar as peças mais simbólicas da história do Egito, como o busto de Nefertiti, no Museu Egípcio de Berlim, e a pedra Rosetta, no British Museum.
As mechas de Ramsés II, que reinou entre 1279 e 1213 a.C. e foi um dos faraós mais emblemáticos da história egípcia, ficarão expostas ao público junto à múmia do faraó no Museu Egípcio do Cairo.