Joaquín Rábago Londres, 10 fev (EFE).- Esta semana, Londres reforçou sua posição dominante no mercado europeu da arte com uma série de leilões, nos quais foram registrados recordes de vendas totais, assim como recordo pessoais de diversos artistas.
As duas principais casas de leilões, Christie's e Sotheby's, estão eufóricas com os resultados dos últimos dias, nos quais colocaram no mercado obras de autêntico valor dos mais importantes representantes do impressionismo, do expressionismo, do surrealismo e da arte contemporânea.
Grandes colecionadores privados decidiram aproveitar o estado do mercado, com enormes quantidades de dinheiro na busca por valores seguros, para pôr à venda obras adquiridas anteriormente por preços muito menores.
Os números anunciados por ambas as casas de leilões são realmente espetaculares. A Sotheby's anunciou um número total de vendas de € 281,7 milhões (US$ 364,3 milhões) e 26 recordes pessoais de artistas, enquanto a Christie's divulgou o número de € 302 milhões (mais de US$ 390 milhões).
O recorde absoluto foi da Christie's, com uma tela de Francis Bacon, da famosa série de Papas inspirada no retrato de Inocêncio X do espanhol Velázquez (1650), que estava na galeria Doria Pomphili de Roma.
"Study for Portrait II", de 1956, no qual o Papa aparece concentrado e aflito em sua poltrona ao contrário dos outros quadros da série, teve o lance mínimo fixado em € 13,5 milhões (US$ 17,5 milhões), mas foi vendido na quinta-feira por um total de € 21.198.240 (US$ 27,4 milhões), após um emocionante duelo de ofertas e contra-ofertas.
O quadro de Bacon não só superou o recorde do artista, estabelecido em novembro de 2006 pela Sotheby's em Nova York, com "Version No.2 of Lying figure with hypodermic syringe", mas, além disso, o preço pago por ele é o valor mais alto num leilão pela obra de um artista do pós-guerra.
A casa de leilões identificou o comprador como Andrew Fabricant, da conhecida galeria nova-iorquina Richard Gray.
Outros recordes de artistas também foram quebrados no mesmo leilão, entre eles os de Alberto Burri, Sigmar Polke, Antonio Saura e Anselm Kiefer, assim como de Freud e de Rothko, embora no caso destes dois últimos por obras em papel.
Pela obra intitulada "Strand" (Praia), de Sigmar Polke foram pagos € 4,09 milhões (US$ 5,3 milhões), um recorde para o artista alemão, enquanto um Rothko em papel, colado em um lenço, intitulado "Black, Red, Black on Brown", foi leiloado por € 5,1 milhões, mais do dobro do preço do lance mínimo.
Outros preços impressionantes pagos esta semana são € 8,1 milhões (US$ 10,5 milhões) por um retrato de Brigitte Bardot feito por Andy Warhol, € 6,7 milhões (US$ 8,7 milhões) por outra obra do mesmo artista intitulada "Three Women", € 3,7 milhões (US$ 4,8 milhões) obtidos por uma natureza morta purista do Liechtenstein e € 3,2 milhões (US$ 4,1 milhões) por uma obra de Cy Twombly, intitulada "Capitoli" (1962).
Em um nível bem mais modesto, um "Crucifixión negra y roja " do espanhol Saura, pintada em 1963, estabeleceu um recorde para o artista, ao trocar de mãos por € 802.800 (cerca de US$ 1 milhão), preço também muito superior ao lance mínimo.
A Sotheby's, por sua parte, quebrou vários recordes importantes, com destaque para um impressionante retrato masculino de Chaim Soutine intitulado "L' Homme au foulard rouge", de 1921, vendido por € 13 milhões (quase US$ 17 milhões), cinco vezes mais que o preço pago por essa obra em 1997.
Outros recordes foram os de Raoul Dufy, cuja tela da sua época mais fauve "A foire aux oignons", na qual aparece um mercado bretão, saiu da casa de leilão por € 6 milhões (US$ 7,8 milhões), e ao britânico Peter Doig, cuja "White Canoe" mudou de proprietário por € 8,5 milhões (US$ 11 milhões), o valor mais alto para um artista europeu vivo.
A obra "99 Cents II, Diptych", do alemão Andreas Gursky, também registrou esta semana um recorde absoluto para o artista, ao ser vendida por € 2,55 milhões (US$ 3,3 milhões), o preço mais alto pago em um leilão por uma obra fotográfica. EFE jr rra/mh