Jerusalém, 2 fev (EFE).- Uma organização governamental encarregada de localizar e restituir bens que pertenceram a vítimas do Holocausto pediu ao Museu de Israel que devolva 400 obras, segundo a edição de hoje do jornal israelense "Ha'aretz".
A maioria dos quadros tem pouco valor - muitos são retratos pintados por artistas da Escola Acadêmica Alemã no século XIX - e está nos porões do museu, mas há algumas obras-primas, em particular uma de Egon Schiele, "Die Stadt" (A cidade).
Há também obras de artistas reconhecidos como Alfred Sisley, Max Liebermann e Moritz Oppenheim.
Estes quadros foram roubados pelos nazistas de colecionadores judeus e, no final da Segunda Guerra Mundial, foram encontrados em minas de sal do sul da Alemanha pelas forças armadas americanas. As obras foram entregues a uma organização criada para restituir os bens perdidos aos herdeiros das vítimas do Holocausto.
Em 1951, a coleção foi enviada ao Estado judeu e, em 1965, foi entregue ao Museu de Israel, fundado no mesmo ano.
Desde então, ninguém tinha reivindicado as obras. Uma comissão do Parlamento israelense (Knesset) que se encarregou entre 2000 e 2005 de buscar e restituir propriedades perdidas por judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial não tratou do destino delas.
No entanto, agora as obras são reivindicadas por uma organização governamental que não tratou diretamente com os herdeiros dos proprietários e que tem a intenção, nos casos em que estes não sejam encontrados, de vender os quadros e destinar o lucro a fundos de ajuda para as vítimas do Holocausto.
O museu se mostrou disposto a negociar a entrega e em breve colocará as obras na internet para que possam ser reivindicadas.
A porta-voz do Museu de Israel, Rachel Schechter, disse ao jornal que "qualquer reivindicação legal será considerada com a devida seriedade". EFE dm dgr