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BA e PE investem mais de R$ 50 milhões no Carnaval

21/01 - 15:24 - Agência Nordeste

RECIFE – O Carnaval no Nordeste deve custar, em média, R$ 50 milhões, ao todo, somente nas cidades onde a festa tem grandes dimensões, como em Olinda e no Recife, em Pernambuco, e em Salvador, na Bahia. Apesar de reclamarem do ônus que a festa causa aos cofres públicos, as prefeituras, que também recebem contrapartidas dos seus estados e de empresas privadas, reconhecem que o investimento vale a pena. O saldo que o período momesco deixa para os municípios costuma ser a ampliação da divulgação das cidades e, conseqüentemente, a consolidação de uma rota turística visitada durante todo o ano.

Apostando numa festa mais completa e bonita devido à comemoração ao Centenário do Frevo, a Prefeitura do Recife pretende investir cerca de R$ 20 milhões no Carnaval deste ano. A anfitriã não deve bancar a festa sozinha. Algumas cotas de patrocínio já foram fechadas e as conversas com o Governo de Pernambuco para repasse de recursos já foram adiantadas. “Esperamos que as cotas de patrocínio superem R$ 5 milhões, cobrindo 25% dos custos da festa. Quanto ao Governo do Estado, esperamos que participe com um valor mais significativo que nos anos anteriores”, admitiu o secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe, demonstrando otimismo com o avanço das parcerias entre as gestões petista, do prefeito João Paulo, e socialista, do governador Eduardo Campos.

A Prefeitura de Olinda também demonstrou estar confiante, tanto com uma contribuição maior do novo governo, quanto com o interesse das empresas privadas em fecharem cotas de patrocínio. “No ano passado, nós fizemos captação de R$ 2,3 milhões. A expectativa para este ano é que a gente consiga pagar o Carnaval todo com captação de recursos. Como Olinda é uma cidade com arrecadação pequena, não tem condições de investir tudo isso no Carnaval”, afirmou a secretária de Patrimônio, Ciência, Cultura e Turismo de Olinda, Márcia Souto. O Carnaval da cidade deve custar cerca de R$ 4,2 milhões, sendo que R$ 1,3 milhão já está garantido pela iniciativa privada.

Orçado em R$ 25 milhões, o Carnaval de Salvador aparece como o mais caro do Nordeste. A Prefeitura de Salvador espera arrecadar em torno de R$ 8 milhões somente a partir de cotas de patrocínio com empresas privadas. Até o final desta semana, uma empresa havia fechado contrato no valor de R$ 1,6 milhão e o Governo da Bahia prometeu desembolsar R$ 4 milhões para a festa na Capital.

De acordo com dados da Empresa de Turismo da Bahia S/A (Bahiatursa), durante os dias de Carnaval do ano passado foi gerada uma receita de US$ 94 milhões para a cidade. “Estima-se que este ano esse número possa crescer até 10%. Mas isso não é dinheiro que entra no cofre da Prefeitura. Nós gastamos mais do que arrecadamos”, pontuou o secretário de Emprego e Renda de Salvador, Paulo Mascarenhas.

Apesar da “despesa” gerada para o município, o Carnaval é responsável pela geração de cerca de 200 mil empregos temporários diretos e indiretos, na Capital baiana, segundo números do ano passado. “De fato, tem uma importância extraordinária. O Carnaval divulga a cidade no Brasil e no exterior. Além de gerar ocupações extras em diversos setores, como segurança, imóveis e hotelaria”, reconheceu Paulo Mascarenhas.

O secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe, ressaltou os benefícios econômicos obtidos pela cidade a partir do Carnaval. “A Prefeitura do Recife tem um custo alto com o Carnaval, mas os resultados compensam. É importante para a consolidação da cultura e do turismo cultural, por ser um momento de grande visibilidade da cidade, gerando oportunidade de atrair turistas não somente nesse período, mas durante o ano todo”.

Márcia Souto, da Prefeitura de Olinda, destacou que os investimentos feitos na organização, promoção e divulgação do Carnaval estão colaborando para o fortalecimento do turismo na cidade. “A cada dia, cresce mais o turismo em Olinda porque estamos investindo em algumas questões estruturadoras. Quando valorizamos a cultura popular, estamos incrementando o turismo. O Carnaval é transmitido para o mundo todo. Junto a isso, trabalhamos a imagem da cidade para a captação de recursos para projetos, como a manutenção de nossos patrimônios e a divulgação de uma agenda permanente de eventos”, revelou.

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