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Aplauso Brasil dança com a diferença

12/01 - 15:19, atualizada às 15:19 12/01 - Michel Fernandes, especial para o Último Segundo

MADEIRA – Navegamos numa fragata de seriedade e profissionalismo, mesmo que o trabalho dessa nau de bailarinos do grupo Dançando Com a Diferença não seja nomeado como profissional. Justificável ao lermos a dissertação de mestrado de Henrique Amoedo, "Dança Inclusiva no Contexto Artístico – Análise de Duas Companhias", que nos explica que companhias profissionais são aquelas em que todos os integrantes são assalariados e não precisam de outras atividades para manterem-se.

Os ensaios são puxados, sem lacunas para brincadeiras nem brechas para que reine a preguiça, nem por isso deixa de ser divertido e banhado por um clima de energias positivas. Elisabete Monteiro conduz com firmeza o leme deste trabalho, mas não perde a sensibilidade no tratamento de sua tripulação, os bailarinos.

Interessante registrar que o processo de criação deste trabalho é bastante diferente do que pensava ser a única possibilidade em se tratando de uma companhia mista. Talvez por influencias de ávidas leituras sobre Rudolf Laban, Martha Graham, bate-papos com Graziela Rodrigues ("Bailarino-criador-intérprete", ou, ainda, recordando de duas entrevistas coletivas com Pina Bausch, da qual participei -cujos trabalhos, em linhas gerais, têm ponto de partida na relação do bailarino com seu corpo, sendo a auto-percepção a base do desenrolar dos movimento -, além da minha participação como bailarino em "Via Sem Regra", com a DIN A 13 TANZCOMPANY, da coreógrafa alemã Gerda König, em que a base da criação eram trabalhos de contato-improvisação com estímulo de frases ou situações a sugerir climas, depoimentos sobre nossas histórias relacionadas com violência, sexualidade etc., sempre focado no tema central, tabu.

Elisabete Monteiro utiliza trajetória inversa, ou seja, não é a auto-percepção o foco do trabalho, mas, a partir dos movimentos ou passos de que criou em sua coreográfica mente, os bailarinos copiam e transformam, à moda de Lavoisier ("Na natureza nada se cria, tudo se transforma"), o movimento original de acordo com suas possibilidades físicas.

Embora Elisabete não se ocupe em diferenciar o tratamento dos bailarinos com ou sem comprometimento motor – cabe dizer que Elisabete Monteiro orientou Henrique Amoedo na dissertação de mestrado citada acima que parte da interessante idéia da responsabilidade bilateral, ou seja, não só a sociedade é responsável por acolher e incluir o deficiente, mas ele é, também, responsável pela conquista dessa inclusão – nas criações em grupo da coregrafia, há, também, momentos em que há passos exclusivos para determinados tipos físicos, possível pelo prévio conhecimento dos bailarinos pela coreógrafa.

Dançando Com a Diferença

Direção Geral: Henrique Amoedo

Direção Técnica, Produção Executiva e Monitor dos Grupos Secundários: Maurício Freitas

Intérpretes: António José Freitas , Bárbara Matos, Celestino Gouveia, Cláudia Filipa Freitas, Elsa Freitas, José Manuel Figueira, Juliana Andrade, Luisa Aguiar, Marina Silva, Ricardo Mendes, Sofia Marote, Sónia Gouveia, Tânia Nunes, Tânia Nunes, Telmo Ferreira, Vítor Viola e Viviana Rodrigues

Realização:

Secretaria Regional de Educação

Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação

Divisão de Arte e Criatividade

O grupo é a cia. residente no Centro das Artes Casa das Mudas

Apoios: Restaurante Multidelícias, Gran Brasa Restaurante e Take Away, Amigos do Auto Rent a Car, Hotel Riu, Hotel Windsor

Michel Fernandes está na Ilha da Madeira a convite da Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação com o apoio do PAC 25 – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo





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