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Morre James Brown, o "pai do soul"

25/12 - 11:07, atualizada às 12:04 26/12 - AFP

O lendário cantor americano James Brown (veja fotos), o "pai do soul" e autor de sucessos como "Sex Machine", morreu nesta segunda-feira na cidade de Atlanta (sul dos Estados Unidos) aos 73 anos.

+ Veja vídeo com performance de James Brown

Brown foi levado na noite de domingo para o hospital Emory Crawford Long de Atlanta, afetado por uma pneumonia.

A emissora de televisão WSB-TV, de Atlanta, noticiou que a morte ocorreu às 06h45 GMT (04h45 de Brasília), mas as causas não foram determinadas oficialmente.

Carreira

Após integrar um conjunto gospel enquanto estava na prisão por roubo ainda na adolescência, lançou-se como profissional em 1953, eletrizando os locais onde se apresentava com sua presença cheia de balanço, dando origem ao movimento funk e colecionando elogios e apelidos, tais como "mr. Dynamite" e "mr. Sex Machine".

AP

Brown influenciou diversos cantores
Brown influenciou cantores

Fora da prisão, entrou para o grupo "The Starlighters", que logo se tornaria "James Brown and the Famous Flames". Dois álbuns se seguiram, "Please Please Please" (1956) e Try Me (1958), à medida que as raízes gospel do grupo deram espaço à influência do "rhythm 'n' blues".

Mas foi um show em Nova York, no teatro Apollo, no Harlem, que ajudou Brown a dar seu primeiro grande passo na carreira, com a gravação de uma apresentação ao vivo em 1961.

Uma série de canções se seguiram nos anos 1960, incluindo os clássicos "Papa's Got a Brand New Bag" e "I Got You (I Feel Good)", antes do mega-sucesso, nos anos 1970, do álbum "Sex Machine". Além da eletrizante "Get Up (I Feel Like Being A Sex Machine)", outros sucessos marcaram esta época, como "It's a New Day", "Brother Rapp," e "Super Bad".

No entanto, os anos 70 representaram um desafio musical para o cantor, que se viu confrontado com a concorrência da febre disco, ritmo que deixava de lado o soul das pistas de dança.

Mas ele deu a volta por cima, apresentando-se com seu novo grupo, os "Pacesetters", no lançamento do álbum "It's too Funky in Here", de 1978.

AP

Cantor no palco nos anos 70
Cantor no palco nos anos 70

Seu papel camaleônico como padre no filme "Os Irmãos Cara-de-pau", de 1980, e a canção "Living in America", tema de "Rocky IV", de Sylvester Stallone, com a qual ganhou um prêmio Grammy em 1987, conduziram Brown à estratosfera de Hollywood.

Um ano antes, ele havia lançado o álbum "Gravity" ao lado de Steve Winwood, Stevie Ray Vaughan e Alison Moyet, e sua fama era consolidada com a participação nos filmes "Ski Party" e "The T.A.M.I. Show".

Vida pessoal conturbada

Apesar do sucesso, James Brown evitava perguntas pessoais em entrevistas, provavelmente devido à sua infância difícil, alternando a música com muitos problemas com a lei.

Embora fosse cauteloso sobre a data exata de seu nascimento, sabe-se que "o rei do soul" veio ao mundo em 1933 em Barnwell, Carolina do Sul (sudeste). Era filho único de um funcionário de posto de gasolina. Quando tinha 4 anos, seus pais se separaram e ele cresceu em um bordel administrado por sua tia, em Augusta, Geórgia (sudeste).

Abandonou a escola na sétima série e começou a trabalhar colhendo algodão, engraxando sapatos, lavando carros e pratos e fazendo faxina em lojas.

Foi detido pela primeira vez aos 16 anos, quando participou de um assalto a mão armada e foi condenado a uma pena de 8 a 16 anos de trabalhos forçados.

Ficou em uma prisão do condado antes de ser transferido para um campo de trabalho juvenil, onde permaneceu por três anos.

Em meados dos anos 70, mais problemas com a lei - envolveu-se em um escândalo de suborno de uma emissora de rádio - e na vida pessoal - seu casamento com Deirdre Jenkins acabou e seu filho Teddy morreu em um acidente de carro.

Em 1987, Brown foi detido pela quinta vez em 10 meses por abuso de drogas. Foi acusado pela terceira esposa, Adrienne Rodriegues, de agressão com lesões e condenado um ano depois a seis anos de prisão por tentativa de homicídio.

Mas depois de passar 15 meses em uma prisão de Columbia, Carolina do Sul, foi transferido para um centro de reabilitação, onde produziu anúncios de rádio e televisão alertando contra o abuso de drogas e álcool.

Em fevereiro de 1991, foi libertado sob a condição de nunca dirigir e ter armas de fogo.

Então, fez um esforço para reconstruir sua vida e carreira.

Em 1992, ganhou um Grammy pelo conjunto da obra.

Em 1993, Brown editou um novo álbum, intitulado "Universal James", que continha sucesso como "Can't Get Any Harder", "How Long" e "Georgia-Lina".

Outro álbum de estúdio, "I'm Back", com a canção "Funk On Ah Roll", foi lançado em 1998.

Em 2004 teve diagnosticado um câncer de próstata, o que o levou a se submeter a uma cirurgia. Continuou sua carreira, em apresentações e estúdios como o show de 2005 na Grã-Bretanha e os duetos gravados com os cantores britânicos Will Young e Joss Stone.

Brown foi casado quatro vezes e teve pelo menos seis filhos, o último deles com sua mais recente esposa, a "backing vocal" Tommie Raye Hynie.





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