Criminosos se aproveitam de vítimas e pedófilos

Advogada diz que dinheiro movimentado por organizações criminosas é estimado em US$ 5 bilhões

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Criadora do primeiro site brasileiro de denúncias online contra pedofilia, a advogada Roseane Miranda, de 37 anos, afirma que os principais patrocinadores desse tipo de crime não são somente os pedófilos, mas grupos organizados que se aproveitam dessa “clientela” para vender imagens, vídeos e até mesmo encontros com crianças ou adolescentes por meio da internet.

“São bandidos que querem dinheiro. E tem audiência para isso”, disse Miranda. Segundo ela, não há dados exatos sobre o dinheiro movimentado por essas organizações criminosas, mas há estimativas de que a atividade renda US$ 5 bilhões ao ano.

A advogada participou na última sexta-feira de um debate sobre o tema mediado pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, desembargador Antonio Carlos Viana Santos, durante o 5º For-JVS (International Forum of Justice), realizado na última semana na Fiesp.

Legislação

Miranda diz defender uma legislação específica para conter esse tipo de abuso. Segundo ela, a maior arma ainda é a conscientização. “O crime envolve a posse, exibição, venda e troca desse tipo de imagem até o rapto de crianças. Existem clubes hoje que fazem vídeos que mostram como o internauta quer ver o término do estupro: com a criança viva ou morta”.

Durante o debate, ela citou a dificuldade para se obter dados que permitam dimensionar o real problema da pedofilia no mundo atual. Com base em estudo publicado em 2005 por uma ONG italiana, o mais recente de que dispõe, citou apenas que uma em cada 33 crianças que acessam a internet tem contato com adultos que as convidam para passeios ou viagens.

O período em que esteve à frente das denúncias encaminhadas ao site, inicialmente criado como canal de protesto por ela e o marido, no entanto, ajuda a traçar um raio-X da situação. Segundo Miranda, entre 1998 e 2004, quando a Polícia Federal se encarregou de dar encaminhamento às denúncias feitas ao site (www.censura.com.br), a página registrou 8 milhões de acessos. No período, foram feitas 150 mil denúncias de supostos abusos.

O site foi criado quando Miranda tentou denunciar uma troca de mensagens que testemunhou em 1998 entre membros de uma sala de bate-papo virtual da qual estava inscrita. As fotos mostravam uma menina americana de seis sendo torturada, com algemas, durante ato sexual. Na ocasião, Miranda não encontrou um canal sequer para encaminhar a denúncia.

As fotos da menina foram transmitidas durante o encontro, e provocou comoção entre os participantes do encontro. “Sei que não podemos mostrar imagens de criança. Mas neste caso podemos: a menina não existe mais. Está morta. As outras fotos eram impublicáveis”.

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