Agora, parecer será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e depois votado em plenário por todos os senadores

Agência Estado

Relator Humberto Costa (à esquerda) durante leitura dos votos para aprovação da cassação de Demóstenes
Agência Brasil
Relator Humberto Costa (à esquerda) durante leitura dos votos para aprovação da cassação de Demóstenes

Por unanimidade, o Conselho de Ética do Senado aprovou na noite desta segunda-feira, 25, o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) que pede a cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO) por quebra de decoro parlamentar.

Num relatório de 79 páginas, Humberto Costa disse que há provas "robustas" e manifestas" do envolvimento de Demóstenes com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira .

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Conselho de Ética do Senado aprova pedido para cassar o senador Demóstenes Torres
AE
Conselho de Ética do Senado aprova pedido para cassar o senador Demóstenes Torres

Todos os 15 senadores foram favoráveis à perda de mandato do senador de Goiás. Agora o processo seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça para verificar sua legalidade. A expectativa é que vá à votação em plenário, em sessão secreta, daqui a duas semanas.

Antes da votação, o senador Mário Couto (PSDB-PA) disse que vai abrir em plenário seu voto, mesmo que ele venha a ser anulado. Couto defendeu que o processo seja votado em sessão aberta em plenário.

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Ele afirmou que se desligará do conselho se o Senado inocentar Demóstenes. "Traga o caixão do Senado Federal, enterre o Senado, sepulte de uma vez. Que moral teremos mais depois disso", disse.

”O senador Demóstenes Torres sabia e sabe o que é certo, mas resolveu trilhar o caminho do errado", afirmou o senador Pedro Taques (PDT-MT).

"A mim, ele enganou o tempo todo", afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Os dois não são integrantes do conselho, mas acompanharam a sessão de votação.

Influência

Ao longo de três horas de leitura do seu voto, Humberto Costa afirmou que o senador usou o seu mandato para "influenciar as diversas esferas do poder em favor dos negócios do contraventor".

Ele disse que Demóstenes não apenas feriu a ética e o decoro parlamentar, mas também cometeu os crimes de advocacia administrativa e favorecimento pessoal.

No parecer, o relator disse que o contraventor é um "verdadeiro anjo-da-guarda do senador". Segundo Costa, Cachoeira estava sempre trabalhando para proporcionar "comodidade", "conforto" e "bem-estar" ao parlamentar: deu um rádio Nextel para o parlamentar falar, com a conta paga, comprou presentes no valor de R$ 170 mil, entre eles uma mesa de jantar (US$ 18 mil), um aparelhagem de som (US$ 27 mil), cinco garrafas de vinho (US$ 15 mil) e um fogão e geladeira no casamento (US$ 25 mil).

Costa considerou ser "inacreditável" que Demóstenes não soubesse que Cachoeira era contraventor. Pelas contas do relator, o senador e o contraventor encontraram-se 40 vezes e se falaram pelo telefone Nextel 97 vezes.

No texto, o relator citou o fato de o senador ter trocado 416 telefonemas em 316 dias com Cachoeira e integrantes do grupo do contraventor. Em outras 315 situações, seu nome foi citado por terceiros.

"Acredito que a todos nós ocorreu o mesmo que se passou com o senador Randolfe Rodrigues: a constatação de que nem mesmo com as nossas famílias falamos tanto!".

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