Corante, o vilão escondido nos alimentos

Corante, o vilão escondido nos alimentos Por Caline Migliato São Paulo, 06 (AE) - Iogurte de morango é branco, sem graça. Vem de um composto artificial, e não da fruta, aquele tom rosinha da bebida.

iG São Paulo |

Corante, o vilão escondido nos alimentos Por Caline Migliato São Paulo, 06 (AE) - Iogurte de morango é branco, sem graça. Vem de um composto artificial, e não da fruta, aquele tom rosinha da bebida. Entre os corantes mais usados nesta categoria de lácteos está o vermelho ponceau 4 r: ele é uma das três substâncias colorantes que passarão por um estudo para reavaliar suas condições de segurança para o consumo, segundo informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A lista inclui ainda o amarelo quinolina e o amarelo crepúsculo, que aparecem nos rótulos de salgadinhos de pacote e de cereais matinais. "Esta reavaliação foi definida em março e será feita entre 2010 e 2011. O comitê científico da FAO (Organização para Alimentos e Agricultura das Nações Unidas), parâmetro para o Brasil, determinou que se faça esse novo estudo para se obter mais informações sobre as substâncias", diz a especialista em tecnologia de alimentos da Anvisa, Daniela Arquete. O assunto veio à tona depois que pesquisas europeias recentes indicaram que esses corantes, associados a um conservante (benzoato de sódio), estariam relacionados a processos alérgicos e hiperatividade em crianças. A investigação principal nesta linha é um estudo do Reino Unido conduzido pelo Imperial College, com 153 crianças. Para a professora Cristina Miuki Abe Jacob, chefe da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do HC (Hospital das Clínicas), em São Paulo, "uma possível ligação entre a hiperatividade das crianças e os aditivos já foi muito relatada em pesquisas". Ela lembra que, apesar dos indícios apresentados por estudos internacionais, nenhum deles chegou a um consenso. Mesmo antes de uma confirmação das suspeitas, o vermelho ponceau e o amarelo crepúsculo já foram banidos de vários países. "Todos os corantes têm potencial de causar danos à saúde, principalmente alergias. A legislação brasileira é permissiva quando comparada a outros países, como Estados Unidos, ¿?ustria e Noruega, sendo que muitos corantes usados aqui são proibidos por lá", diz a biomédica Mirtes Peinado, consultora do Instituto de Defesa do Consumidor. Ela ressalta o caso da tartrazina, pigmento amarelo associado a quadros de alergia respiratória e erupções cutâneas, que em janeiro recebeu a obrigatoriedade de ser discriminado no rótulo dos alimentos. Mesmo que o corante em um produto obedeça aos limites de segurança, é difícil prever quais outros itens coloridos serão consumidos junto com ele. No caso do vermelho bordeaux, comum em gelatinas de sabor cereja, a ingestão diária aceitável (IDA) da substância, segundo a FAO, equivale a quatro porções da sobremesa por dia para uma criança de 30 kg - considerando que ela não se alimente de nenhum outro item que contenha este corante, o que é difícil. Ele também aparece em balas, chicletes e outras guloseimas. CORANTES NATURAIS Cada sabor de gelatina contém em média três corantes, justamente para torná-la visualmente mais atrativa. Quando descobriu que o colorido da sobremesa vinha de aditivos químicos, a publicitária Julia Farina, de 37 anos, começou a buscar outras alternativas para o lanche do filho Francesco, 3 anos. "Só compro gelatinas e sucos com corantes naturais. Os produtos são mais caros, cerca de R$ 1 a mais no caso da gelatina, mas a saúde do meu filho não tem preço", declara. Com 25 anos de experiência em aplicação de corantes naturais, o pesquisador Paulo Roberto Nogueira Carvalho, do Instituto de Tecnologia dos Alimentos (Ital), acredita que a busca por ingredientes mais saudáveis ganhou força no Brasil. "A principal vantagem é a segurança, já que os corantes naturais são usados há muito mais tempo pelo homem do que os sintéticos", diz. Alguns corantes naturais, como a cúrcuma, do açafrão, têm propriedades terapêuticas. "Ela é capaz de matar células cancerosas do tipo melanoma, responsável por tumores de pele. Fizemos estudos in vitro sobre isso", conta a bioquímica Lídia Giullo, da Universidade Federal de Goiás (UFG). A pesquisa dela faz parte de um projeto mais amplo da UFG, de caráter multidisciplinar, que investiga a cúrcuma desde 1997. "A curcumina, presente na cúrcuma, foi capaz de combater a salmonela e os coliformes em queijos e frangos nas pesquisas que fizemos", conta o engenheiro de alimentos Celso José de Moura, um dos coordenadores do estudo.

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