UE fica no meio do caminho para 2ª fase do Protocolo de Kyoto

Falta de definição do bloco coloca andamento das negociações da Conferência do Clima ainda mais próximo de uma possível fracasso

Maria Fernanda Ziegler, enviada especial a Cancún |

A União Européia afirmou hoje estar entre a posição dos países em desenvolvimento, que querem a segunda fase do Protocolo de Kyoto e a do Japão, que rejeita renovação.

“Nós ainda estamos considerando o fato de ir a uma segundo fase do Protocolo de Kyoto, mas temos que levar em conta que sem o resto dos países não acreditamos que ele vá representar uma solução para o combate as mudanças climáticas”, disse Peter Wittoeck, negociador principal da Bélgica.

A sinalização de um possível direcionamento da União Europeia de rejeitar a segunda fase do Protocolo de Kyoto faz com que os resultados da Conferência do Clima se tornem ainda mais inalcançáveis. De acordo com embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador chefe do Brasil na Conferência do Clima (Cop-16), a questão da continuidade de do protocolo, que expira em 2012 e ainda não conta com substituto, continua sendo o ponto central do grupo dos países em desenvolvimento.

“Tem sido cobrada uma postura mais definida dos europeus no sentido de que nos temos que sair de Cancun com o compromisso de termos não só a continuidade de Kyoto como o segundo período acertado, se não ainda adotado, mas, pelo menos, com um compromisso político de que isto acontecera num futuro próximo”, disse.

Outra cobrança é que os países desenvolvidos parem de bater na tecla da transparência e da necessidade de que haja mecanismos de verificação das análises feitas por cada país sobre seus níveis de emissão. Neste item, Estados Unidos cobram que as metas de emissões sejam aferidas. Coisa que a China rejeita.

Sobre a rejeição do Japão para a segunda fase do protocolo de Kyoto, Figueiredo afirmou ter a expectativa de que se trate de um estratégia para que no andamento das negociações se torne mais fácil que novas metas entrem em acordo. “Se não for assim, então a perspectiva de um resultado e muito pequena”, disse.

“Há um temor grande de que a sinalização de um fracasso em Cancun após um resultado insuficiente em Copenhague represente um golpe muito grande no sistema multilateral de negociações em mudanças do clima”, disse.

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