Sem segundo protocolo de Kyoto não haverá números para redução das emissões

Sérgio Serra acredita que caso segundo período do Protocolo de Kyoto seja acordado, não exigirá reduções necessárias dos gases de efeito estufa, nem contará com EUA

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún |

Maria Fernanda Ziegler de Castro
Embaixador extraordinário para assunto de mudanças climáticas Sérgio Serra
Para o embaixador extraordinário para assunto de mudanças climáticas, Sérgio Serra, a responsabilidade dada ao Brasil, junto ao Reino Unido, de coordenar as negociações com outros países sobre o segundo período do protocolo de Kyoto, na Conferência do Clima, reflete o caráter ativo que o Brasil teve ao longo de todas as negociações sobre o tema.

A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira e a representante do Reino Unido já tiveram reuniões com ministros do grupo africano, Japão. Rússia e China estavam também na lista para a primeira rodada de conversas.

“A estratégia óbvia é que nós precisamos deste acordo, pelo benefício de todo o processo das negociações sobre mudanças climáticas. Precisamos de algum resultado aqui em Cancún”, disse.

Serra afirmou também que neste tema, especialmente, se faz necessária alguma mensagem de Cancún. “Deve haver o segundo protocolo de Kyoto, caso contrário não haverá números estabelecidos para a redução”, disse.

O segundo período de vigência, no entanto, não está sendo negociado com os Estados Unidos. “Não estamos discutindo isto com os Estados Unidos. Eles não põem em questão a ratificação do protocolo. Eles são indiferentes quanto a esta negociação”, disse.


A informação serve como um banho de água fria para possíveis previsões de bons resultados nesta Conferência do Clima. A entrada dos Estados Unidos em um acordo de redução das emissões é uma das condições para que China, maior poluidor global com 22% das emissões, aceite negociar um possível comprometimento obrigatório em reduzir suas emissões também.


Os Estados Unidos são responsáveis por 19% das emissões de gases causadores do efeito estufa e tem o maior índice global de emissões per capta. Há 13 anos, o país se recua a retificar o protocolo de Kyoto. O tratado, que expira em 2012, exige que quase 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, em 5,2% entre 2008 e 2012.

Realismo de doer

Sérgio Serra acredita que é preciso “doses de realismo” quanto a possibilidade de adoção de um acordo com reduções mais ambiciosas.

De acordo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é preciso reduzir ainda mais para que o planeta se limite ao aumento de 2° C das temperaturas.

“Não vemos possibilidade de que os números sejam mais ambiciosos do que foi apresentado em Copenhague. Sabemos que aqui não vamos melhorar estes números”, disse.

Para Sérgio Serra, a “posição firme” do Japão pode ter um impacto forte e negativo em todo o pacote de itens que estão sendo negociados na Cop-16. “Se o Japão não pode mudar completamente sua posição, que não seja um obstáculo para esta Conferência”, disse.

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