Prefeitos precisam monitorar as mudanças costeiras

Cientista americano falou sobre a importância da informação precisa na programação de medidas de adaptação de cidades costeiras

Maria Fernanda Ziegler, enviada especial a Cancún |

Uma das mais temidas consequências do aquecimento global, o aumento do nível do mar, precisa ser monitorada para que governos possam reagir de acordo. Foi o que disse Adam Steiner, cientista da Administração oceânica e da Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) em palestra hoje na Cop-16, em Cancún. Após a palestra, ele conversou com o iG sobre a importância de uma análise cientifica para a a tomada de decisões de governos.

iG: De acordo com os seus estudos, que lugares no mundo sao mais vulneráveis ao aumento do nível do mar?
Adam Stein: As áreas que estão mais propícias a ter problemas, e que já estão sofrendo problemas são o delta do Nilo, Bangladesh, o delta do Ganges, o delta do Mississippi.

iG: Em sua palestra você deu como exemplo a cidade americana de Charleston, na Carolina do Norte, que vem sofrendo com inundações. A previsão é que isto aconteça com mais frequência. Para quando é esta previsão?
Adam Stein: A cidade está muito próxima do mar e a área mais elevada está a apenas 3 metros de altitude. Além disso, a cidade foi construída de maneira desordenada e sem planejamento. Quando a maré sobe apenas dois metros), a cidade inunda, isto já acontece duas vezes ao ano. Como o nível do mar está subindo, ficará ainda mais comum o mar chegar até a cidade.

Mas quando isto vai acontecer, ainda não temos certeza. Isto também vai depender de como a cidade vai manejar seu desenvolvimento. Nós temos plena convicção de que o nível do mar vai subir, mas o quanto vai subir em determinadas áreas ainda precisa ser determinado.

iG: O que podemos fazer para prepara as áreas costeiras para as mudanças climáticas?
Adam Stein: Encarregar-se da avaliação de risco e vulnerabilidade é um dos primeiros passos para criar um plano para tomar as decisões necessárias para se preparar para as mudanças climáticas. A primeira coisa a se fazer é monitorar o nível do mar e saber como os habitats de animais e plantas estão respondendo a isto. É preciso entender como as coisas estão mudando para entender o grau de risco. Isso ajudará a fazer decisões para o futuro.

iG:Qual o seu conselho para prefeitos?
Adam Stein: O futuro não será igual ao passado. E o novo paradigma é fazer com os governos criem processos de desenvolvimento que acomodem adaptações. Para isso, é preciso melhorar os sistemas de monitoramento, usando critérios científicos.

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