Para Izabella Teixeira não é preciso se tornar "ecoansioso"

A um dia da conclusão da COP-16, as negociações continuam com impasses

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Se algum resultado sair desta Conferência do Clima, em Cancún, será praticamente como aquele gol, nos quarenta e cinco segundos do segundo tempo, em um estádio não muito lotado. A grande preocupação nas negociações é se haverá tempo de chegar a algum acordo. A um dia da conclusão da conferência, as negociações continuam com impasses. De acordo com a ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, é preciso não ficar “ecoansioso”.

Para a ministra a demora faz parte da rotina de negociações. “Multilateralismo é isso: construir posições comuns dentro da diversidade. Fazer que um país insular, tenha a mesma posição e entendimento sobre um assunto que um país continental como o Brasil, por exemplo. Aí você coloca um europeu aqui, um russo ali, um americano aqui, vem um Canadá por ali, bate no liquidificador e tem que estar tudo de acordo”, disse.

Por enquanto, nem todos estão de acordo. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o ministro japonês de relações internacionais, Akira Yamada, disse que o Japão não vai mudar a sua posição e vai continuar a recusar o segundo período do Protocolo de Kyoto. Ele afirmou que a possibilidade de mudança, seria de 0%.

“Ele pode estar dando declarações de orientação do primeiro-ministro dele e isso ficou claro que temos um problema com o governo japonês, como temos uma dificuldade com os russos, com a Nova Zelândia”, comentou Izabella.

Mesmo assim, a ministra disse que espera voltar feliz de Cancún, como voltou feliz de Nagoya, quando foi assinado o protocolo sobre a distribuição dos ganhos obtidos pelas indústrias farmacêuticas e de cosméticos a partir de recursos genéticos originários da biodiversidade.

O discurso está afinado com o do negociador chefe do Brasil na Conferência do Clima, embaixador Luiz Alberto Figueiredo.“Estou otimista porque estamos no meio das negociações, ainda temos tempo e vemos que as delegações estão comprometidas em buscar uma solução. Estou cautelosamente otimista e se eu não fosse otimista eu não seria negociador de mudança do clima”, disse o Figueiredo.
Brasil e Reino Unido foram designados para agir como facilitadores nas negociações sobre o segundo período do protocolo de Kyoto entre os mais de 190 países da Conferência do Clima em Cancún.

A segunda fase do protocolo de Kyoto é o tema importante nesta Conferência do Clima. O tratado, que expira em 2012, é o único acordo obrigatório sobre a redução das emissões. Ele exige que quase 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, em 5,2% entre 2008 e 2012. Após este período, ainda não foi estipulado nenhum substituto ao protocolo.

Fundo Verde

Sobre outra grande expectativa nesta Conferência do Clima, o Fundo Verde, Izabella disse que os negociadores estão discutindo se a administração fica no Banco Mundial ou da Convenção do Clima. “Eu particularmente acho que seria importante que esteja no âmbito da convenção para que todos os países signatários possam dispor das diretrizes sobre os recursos que vão ser destinados à adaptação”, disse.
O fundo verde destinaria US$ 100 bilhões aos países em desenvolvimento, para que eles possam investir em meios de redução e adaptação às mudanças climáticas, como instalação de fontes de energia limpa e medidas antidesastres ambientais.

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