Onde somos mais vulneráveis

A maioria dos países não está preparado para as consequências das mudanças climáticas

iG São Paulo |

As notícias deste último ano não foram boas. Uma série de desastres, como as inundações no Paquistão, incêndios na Rússia, desmoronamentos na China, mostraram a vulnerabilidade dos países em relação às mudanças climáticas, embora cientistas sejam cautelosos ao associar estes eventos com o aquecimento global.

Impactos como elevação dos mares, alterações nos padrões de doença, os riscos de inundações e secas, ondas de calor e furacões mais fortes exigirão investimentos, tanto em mecanismos eficientes de resposta a desastres quanto em pesquisas científicas relacionadas a eles.

De acordo com o Índice de Vulnerabilidade pelas Mudanças Climáticas, compilado pela empresa britânica de  aconselhamento de riscos Maplecroft, dos 16 países listados como em risco "extremo" devido às mudanças climáticas nos próximos 30 anos, cinco são do sul da Ásia, com Bangladesh e Índia no primeiro e segundo lugares, Nepal em quarto, Afeganistão em oitavo e Paquistão em 16º. O Brasil (81º), a China (49º) e o Japão (86º) estão na categoria de "alto risco".

O índice foi baseado em 42 fatores sociais, econômicos e ambientais, inclusive a capacidade de resposta do governo, de forma a avaliar o risco para a população, os ecossistemas e os negócios em função das mudanças climáticas.

Uma das metas da Conferência do Clima em Cancún é definir justamente quem são estes países mais vulneráveis, e por isso, quem deve receber auxilio financeiro.

Todos juntos
Mas a questão envolve o planeta inteiro. E enquanto as negociações globais caminham lentamente, os impactos estão acelerados. As temperaturas médias globais são as maiores nos dois últimos séculos, aumentando cerca de 0,74°C nos últimos 100 anos. Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, poderá ocorrer o acréscimo médio de 2°C a 5,8°C na temperatura do planeta.

O aquecimento dos oceanos, por exemplo, está crescendo o dobro da taxa média do século 20, a expansão deste calor resulta no escoamento e derretimento do gelo. E é nos pólos, principalmente no Norte, que a mudança se torna mais perceptível. Mais gelo está derretendo no Ártico (e também na Antártida), do que haviam previsto estudos científicos de 2007 – que os mares poderiam subir até 0,59 metros em 2100 – previsão que agora parece muito conservadora.

No meio do ano, um iceberg de 260 quilômetros quadrados - equivale a quatro vezes o tamanho da ilha de Manhattan, em Nova York - se desprendeu da geleira de Petermann, no norte da Groenlândia. Recentemente, estudo da Nasa mostrou que os lagos do planeta ficaram 2ºC mais quentes em 25 anos, uma velocidade maior que a atmosfera .

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