Negociações de clima da ONU ficam no "fio da navalha" por Kyoto

Enviado da Grã-Bretanha avalia que a esta altura, discussões podem ter um bom resultado ou ser um desastre

Reuters |

O resultado das conversações climáticas patrocinadas pela ONU estão no "fio da navalha" devido a um impasse sobre o futuro do Protocolo de Kyoto, no penúltimo dia das negociações envolvendo 190 países, disseram nesta quinta-feira representantes envolvidos no processo.


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O impasse sobre preservar ou não o pacto de Kyoto depois de 2012 tem dificultado a reunião da Organização das Nações Unidas, que termina na sexta-feira após duas semanas. Os países terão de concordar em uma decisão sobre a questão, se quiserem destravar outros acordos sobre ajuda climática e proteção às florestas tropicais.

"Está no fio da navalha, podemos muito bem ter um bom resultado, mas também podemos ter um desastre", disse Chris Huhne, secretário de Energia e Mudança Climática da Grã-Bretanha, um dos coordenadores das conversações sobre Kyoto na conferência que se realiza no resort de Cancún.

O impasse sobre Kyoto ainda bloqueia um acordo para reduzir o aquecimento global, afirmou o ministro do Meio Ambiente da Índia.

"O resultado ainda é muito incerto", disse à Reuters Jairam Ramesh, após negociações que entraram madrugada adentro com os 190 países.

Os negociadores tentam criar um novo fundo para ajudar os países em desenvolvimento a combater e se adaptar à mudança climática, encontrar formas de pagar os países tropicais para que não derrubem suas árvores e concordar com um novo mecanismo para compartilhar tecnologias limpas.

Em primeiro lugar, porém, eles têm de contornar a disputa sobre o futuro de Kyoto, que compromete quase 40 países desenvolvidos com o corte nas emissões de gases causadores do efeito estufa em um período inicial que vai até 2012.

O Japão disse que não participará de uma ampliação do Protocolo de Kyoto e, em vez disso, quer um novo acordo sob os auspícios da ONU que comprometa as economias emergentes, como China e Índia, junto com países já vinculados ao pacto de Kyoto a reduzirem suas emissões.

Os países em desenvolvimento afirmam que os que já fazem parte do pacto de Kyoto -- os principais responsáveis pela emissão de gases-estufa desde a Revolução Industrial -- devem dar o exemplo e concordarem, unilateralmente, com a ampliação do pacto de Kyoto para um segundo período.

"Os japoneses estão sinalizando claramente que não querem ser os causadores do fracasso da conferência; espero que avancemos, mas ainda não está feito", disse Huhne.

"Não vamos obter uma resolução completa sobre as questões em torno da forma legal do que aparece por último, o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto", afirmou ele, acrescentando que Venezuela e Cuba querem um avanço mais rápido com relação ao segundo período de compromissos.

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