Na prorrogação, reunião do clima corre contra o tempo

Dificuldades para fechar acordo crescem diante de protestos contra linguagem vaga

BBC Brasil |

A segunda noite em claro de negociadores reunidos em Durban, na África do Sul, para a reunião de mudanças climáticas das Nações Unidas (COP-17) ainda não rendeu o esperado: um acordo entre 194 países para a continuação do Protocolo de Kyoto e o corte de emissões globais de gases do efeito estufa a partir de 2020.

Entenda:
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Perguntas e respostas sobre a COP-17

Diante do enorme atraso nos procedimentos, alguns países, como o Japão, já retiraram os seus ministros de campo, após orientarem os negociadores-chefes de suas delegações para continuar as discussões.

Neste sábado, a segunda versão do texto final foi liberada às delegações com cerca de quatro horas de atraso e prontamente recebeu críticas das organizações não-governamentais.

AP
Manifestantes protestam dentro do prédio onde ocorre a Conferência do Clima
"É fraco, Há muito pouco texto que garanta o que precisamos: redução de emissões e financiamento para países mais pobres", afirmou à BBC Brasil Samantha Smith, representante do WWF para a iniciativa de Clima e Energia.

Embora as negociações continuassem, já no fim da manhã a delegação brasileira aguardava o resultado final. Para o Brasil, um possível acordo deve sair apenas no início da noite de sábado.
No entanto, ainda há dúvidas se alguns dos principais emissores - Estados Unidos, Índia e China - aceitarão o texto final, que segundo negociadores brasileiros deve incluir o prazo de 2020 para o início de um novo período de cortes de emissões.

Linguagem vaga

O tom otimista adotado por representantes do Brasil e da União Europeia, que na quinta-feira, se diziam esperançosos por fechar um pacote que incluiria a continuação do Protocolo de Kyoto e o caminho para um novo acordo global - parece não ter se concretizado.

Entre os problemas a serem resolvidos estão o prazo - considerado distante demais pelos países-ilha, pela União Europeia (UE) e outros - e a ausência de clareza sobre a situação legal do acordo e a proposta sobre a segunda etapa de Kyoto também teriam desagradado. A linguagem vaga sobre o valor legal do documento, entretanto, pode ser a única forma de fazer com que os Estados Unidos o aprovem.

Sem respaldo doméstico para negociar um tratado climático e às vésperas de eleições presidenciais, qualquer compromisso legal mais firme possivelmente teria um fim semelhante ao do Protocolo de Kyoto, aprovado pelos Estados Unidos internacionalmente, mas nunca ratificado domesticamente. Como a reunião de Durban já está na prorrogação desde as 18h de sexta-feira, a pressão do tempo dificulta ainda mais o aparo de arestas.

A UE, autora do projeto que vinha sendo considerado viável como saída para o encontro de Durban, estaria irritada com o prazo de 2020. Isso ameaça a continuidade do Protocolo de Kyoto, uma vez que a Europa deve ficar praticamente só entre os países desenvolvidos no acordo: os Estados Unidos nunca participaram, e Canadá, Japão e Rússia não devem entrar na segunda fase.

O impasse aconteceu porque sem a participação da Europa, o acordo de Kyoto fica praticamente inviabilizado, fazendo com Brasil, África do Sul, Índia e China dificilmente se comprometa com qualquer meta obrigatória, por mais futura que seja.

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