Japão recusa criação de segundo Protocolo de Kyoto e gera crise na Cop-16

País afirmou que não faz sentido continuar um acordo de redução dos gases causadores do efeito estufa, enquanto os principais poluidores ficarem de fora

Maria Fernanda Ziegler, enviada especial a Cancún |

O Japão afirmou hoje (1) que não aceitará a prorrogação do protocolo de Kyoto, tratado internacional que estabelece compromissos para a redução das emissões de dióxido de carbono. O país defende um novo instrumento vinculante baseado no acordo de Copenhague, onde países prometeram reduzir emissões ou controlar seu crescimento até 2020.

“Não vemos sentido em continuar um acordo onde Estados Unidos, responsáveis por 19% das emissões, e China com 22% - os maiores emissores globais - não façam parte”, disse Hideko Minamitawa, vice-primeiro ministro japonês de assuntos globais sobre o meio ambiente.

A delegação japonesa alegou que a recusa de uma segunda fase do protocolo, não quer dizer que o país não pretende abandonar o Protocolo de Kyoto, que deixará de valer em 2012 e at é agora não existe outro substituto, nem as metas propostas na última Conferência do Clima em Copenhague. “Estamos só negando um novo protocolo que deixe os principais emissores de fora”, concluiu Akira Yamada, delegado japonês para assuntos globais.

O posicionamento japonês mexeu com os humores dos outros negociadores desta Conferência do Clima. O embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador chefe do Brasil na Conferência do Clima (Cop-16) - que é favorável a uma segunda edição do protocolo de Kyoto com metas estipuladas em Copenhague - afirmou estar vendo, mais uma vez o jogo do “eu não me comprometo enquanto você não se comprometer primeiro” .

“Se um país não cumpre um tratado e não paga o preço político por isto. Ele não pode minar a função de um tratado. Vejo que os países em desenvolvimento estão assumindo a liderança da discussão, enquanto países em desenvolvimento estão fazendo corpo mole”, disse Figueiredo se referindo, sem querer citar nomes, aos países que não cumprem as metas de redução de emissões, como o Japão, ou que não ratificaram do Protocolo de Kyoto, caso dos Estados Unidos.

Lula

Perguntado sobre o comentário dado hoje pelo presidente Lula de que a COP-16” não vai dar em nada”, Figueiredo alegou que o comentário do presidente remete à profunda frustração . “Estamos fazendo o que nos comprometemos a fazer e o que vemos aqui é que outros países não estão cumprindo seus compromissos. É preciso que os países desenvolvidos comecem a ter mais responsabilidade nesta área”. Disse.

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