Japão reafirma que não quer Protocolo de Kyoto

Para ministro japonês Akira Yamada, embora haja pressão internacional, tratado não luta contra as mudanças climáticas

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún |

O Japão continua a reafirmar sua recusa em aceitar um acordo para o segundo período de comprimento do protocolo de Kyoto. O ministro japonês de relações internacionais de Akira Yamada afirmou que o protocolo de Kyoto, não é a maneira mais justa e mais eficiente para tratar as mudanças climáticas. O tema é uma das questões mais cruciais que estão sendo discutidas na Conferência do Clima em Cancún.

O país defende a criação de outro instrumento que obrigue todos a reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa, tanto países desenvolvidos com em desenvolvimento, mesmo que de forma diferente. “O protocolo de Kyoto não luta contra o desafio das mudanças climáticas, ele só cobre 27% das emissões globais”, disse Yamada.

O ministro japonês afirmou que embora haja pressão internacional, o Japão vai continuar a expressar a sua opinião. “Temos que entrar em um consenso. As negociações continuam e acreditamos que possamos alcançar bons resultados no fim da sessão”, disse.

Alba mais tranquila

O segundo período de comprometimento do protocolo de Kyoto é o maior impasse da COP-16. Durante as negociações na madrugada de ontem, os países do bloco Alba (formado por Equador, Venezuela, Bolívia e Nicarágua) ameaçaram sair das negociações caso o protocolo não fosse prolongado, quando Cuba interferiu e conseguiu fazer com que mudassem de idéia.

Na tarde desta quinta-feira (9), Claudia Salerno, negociadora da Venezuela, se disse mais tranquila em relação ao andamento das negociações para um consenso e que enquanto as negociações continuarem, não vê motivo em se retirar.

“Creio que agora há um bom terreno para um entendimento aqui em Cancún. Não é fácil negociar com partes com opiniões tão diversas. As dificuldades são as mesmas que tínhamos em Copenhague, mas a vontade de entrar em um acordo é maior”, disse Claudia.

O Protocolo de Kyoto, que obriga quase 40 países desenvolvidos a reduzir suas emissões em 5,2% entre 2008 e 201, é o único acordo obrigatório e expira em dois anos, sem ter ainda nenhum substituto. As duas principais críticas ao protocolo de Kyoto estão no fato de Estados Unidos e China, responsáveis por 41% das emissões globais, estarem de fora deste acordo, assim como as metas exigidas no tratado serem muito baixas.

Os Estados Unidos não ratificaram o tratado e a China, assim como outros países em desenvolvimento, têm em alguns casos apenas metas voluntárias de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. De acordo com o painel intergovernamental de mudanças Climáticas (IPCC), o recomendável seria cortar de 25% a 40% das emissões globais comparado ao nível emissões no ano de 1990, que é o ano base do Protocolo de Kyoto.

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