Índia e China se opõem ao plano da UE para acordo global em Durban

Indianos e chineses manifestaram, com veemência, sua oposição à proposta europeia de futuro acordo global para 2015

iG São Paulo |

As duas principais economias emergentes da Ásia, China e Índia, se opuseram neste domingo (11) no plenário da Conferência da ONU sobre Mudança Climática (COP-17) de Durban à proposta impulsionada pela União Europeia (UE) de criar um acordo global na luta contra o aquecimento global.

Reunidos com mais de 190 países em sessão plenária, os representantes indianos e chineses manifestaram, com veemência, sua oposição à proposta europeia relativa à natureza jurídica de um futuro acordo global para 2015.

Este profundo desacordo poderá levar esta conferência ao fracasso, caso não seja superado nas próximas horas.

Entenda:
Como acontece o aquecimento global
Quem são os maiores emissores
Perguntas e respostas sobre a COP-17

Um projeto de texto, duramente debatido há 48 horas, propõe um compromisso com um acordo incluindo todos os países do planeta, que seria adotado em 2015. A polêmica reside na natureza jurídica deste texto.

A Europa deseja que seja o mais vinculante possível. A China e a Índia consideram que não podem se comprometer com um acordo deste tipo, lembrando a responsabilidade histórica dos países industrializados no acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera.

A Índia, que desde o começo das negociações no dia 28 de novembro se mostrou reticente a assumir compromissos vinculativos de redução de emissões de gases do efeito estufa, assegurou que não está em condições de assumir obrigações que possam limitar seu desenvolvimento.

A postura indiana foi seguida também pela China, o que representa um duro golpe para as negociações na cúpula de Durban. A reunião já se prolonga por dois dias mais do que o previsto, e que enfrenta o desafio de renovar um segundo Protocolo de Kyoto, para um novo marco internacional que inclua os principais emissores.

"Apoiamos a declaração da Índia. Qualquer acordo é legalmente vinculativo, mas como vão desenvolvê-los?", se perguntou Xie Zhenhua, porta-voz da delegação chinesa no plenário informal da cúpula.

"Só pedimos uma terceira opção", reivindicou a ministra do Meio Ambiente de Índia, Jayanthi Natarajan, em referência ao terceiro termo incluído na minuta.

"Este acordo fala de responsabilidades iguais. Nós cumprimos nossos compromissos. Mas não é o que se diz, mas o que se faz. Alguns assumem compromissos mas não os cumprem, em sua redução de emissões e na transferência de tecnologia", acrescentou porta-voz chinês Zhenhua.

"Temos que crescer, lutar contra as consequências da mudança climática. Somos países em desenvolvimento", acrescentou o porta-voz chinês.

O lançamento deste "mapa do caminho" para um tratado global é a condição imposta pelos países europeus para retomar novos compromissos como parte do Protocolo de Kyoto a partir de 2013 e, com isso, mantê-lo vivo.

*** Com informações de AFP e EFE

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